terça-feira, 28 de julho de 2015

Os “terrible two”, e bota terrible nisso.

A Malu está com quase 3 anos... e há algum tempo estamos passando pela terrível fase conhecida como terrible two (terríveis 2 anos). Muitas mães começam a observar esta fase quando o bebê ainda está com 1 ano e meio... não sei se pela prematuridade, mas aqui só apareceu depois dos dois anos mesmo...

 A gente jura de pés juntos que nosso filho jamais dará um chilique no meio do shopping, que seremos super mães com filhos exemplares que se comportam como anjinhos... aham, vai nessa. Um dos primeiros ataques da Malu foi desses que deixa a gente com vontade de sumir num passe de mágica. Estávamos numa livraria que ela adora e depois de passar um bom tempo brincando, decidimos ir embora. Quando ela percebeu que estávamos caminhando para a porta de saída, ela simplesmente se jogou no chão e começou a dar um show!!!!!!! A minha reação? Falei de bate pronto: “Vai ficar aí chorando? Eu to indo embora!”. Virei as costas e fui. A gente faz isso com dor no coração, mas aprendi que é assim que resolve.

Recentemente a escola da Malu ofereceu uma palestra com a escritora Tania Zagury, ela é professora e pesquisadora em educação com 28 livros publicados, boa parte deles fala sobre a educação infantil. A palestra foi muito boa e esclarecedora... ela fala muitas coisas nas quais nos encaixamos como pais e como filhos! Basta olharmos um pouco para trás e vamos ver como o estilo de vida mudou. Hoje em dia temos cada vez menos tempo para os nossos filhos e por conta disso acabamos não educando como deveríamos, por pena de estar tão pouco tempo juntos. Queremos ter só momentos bons (já que o tempo é curto) e com isso deixamos a criança fazer coisas que não devem, não “brigamos” na hora certa... e assim a criança vai crescendo achando que pode tudo... e vão virando uns monstrinhos.

Só que um dia estes “monstrinhos” vão andar com as próprias pernas e vão aprender na marra que eles não podem tudo, afinal viverão em sociedade!! A educação tem que vir de casa, temos que dar o exemplo e mostrar o que é certo e errado, mesmo que isso doa na gente. Quando disser para a criança que ela vai ficar de castigo, ponha de castigo! Se não escovar os dentes vai ficar sem chupeta, esconda a chupeta! Não vale dizer que vai fazer e ficar só na intenção, assim a criança nunca vai acreditar e vai continuar te desafiando.

Realmente tem horas que precisamos respirar fundo... mas segundo a Tania isto funciona bem e em pouco tempo o cérebro da criança vai entender e estes ataques de fúria passarão. Quem aqui nunca levou bronca dos pais? Deixamos de amá-los por conta disso? Não! Tem muita gente que não gosta de brigar com os filhos, pois acham que eles vão ficar ressentidos... que nada! A gente só briga com quem a gente gosta, com quem nos importamos... isto é amor!

Uma dica que a Tania deu, foi ignorar o chilique! Se a criança começar com aquele ataque básico, abaixe na altura da criança e diga a ela em tom baixo que não gosta do que ela está fazendo. Olhe em volta para ver se a criança está segura, afaste possíveis perigos como quinas de mesa, objetos que possam machucar... depois vá para outro cômodo da casa, pegue um livro, revista e finja que não está nem aí. É batata! Eu faço isso com a Malu e ela vem atrás, continua dando o ataque, tenta tirar o jornal da frente do meu rosto... lá vou eu pra outro cômodo... até que ela desiste. Qualquer mãe sabe reconhecer se o choro do seu filho é choro mesmo ou é manha... se for manha, deixo gritar até cansar. O problema é que qualquer dia algum vizinho vai bater lá em casa pra dar uma barra de chocolate pra Malu sossegar hahahahaha!

Um vídeo bem bacana que mostra exatamente como nossos filhos tentam nos manipular com a manha é este aqui embaixo. Este aí tem vaga garantida na novela das 8!



Eu sei, tem horas que a gente tem vontade de fazer a vontade para a criança sossegar, mas temos que pensar que o cérebro deles é uma esponja... se cedermos eles vão achar que basta dar uns gritos para conseguirem tudo, mas confesso que quando o ataque é na madrugada eu acabo cedendo. A Malu volta e meia acorda no meio da madrugada pedindo leite... eu falo pra ela dormir de novo que já já eu faço o leite, crente que ela vai cair na minha e só vai acordar de novo as 7 da manhã... só que ela começa “mãããããããããeeeeeee quero leeeeeeiteeee” aos berros!! Para não acordar o prédio todo eu levanto e faço o raio do leite para ela sossegar.

A nova onda do momento é bater em mim, e detalhe, só em mim! No pai ela não bate. Aí vocês vão dizer... ahhh mas o pai fala grosso, dá bronca.... que nada!!!!!!!! Eu é que sou a chata da parada!!! Ela começa a bater, eu seguro os braços, olho séria pra ela e falo “Não pode bater em mim Malu, isso é feio e eu não gosto!”. Sabe o que a figura faz? Sai correndo pro pai e fala: “Papai, to batendo na mamãe!” ... e eu tenho que me segurar pra não rir! Ela mesma se entrega!! Ontem de noite ela jogou todos os cachorros da Patrulha Canina no chão e berrou assim “Ô mãããe! A Malu tá fazendo bagunça! Não pode!!

Resumindo, a baixinha já está entendendo o que é errado, falta parar de fazer! Sigo na luta explicando o que não pode, dizendo o que é errado... e sabendo que ela não vai deixar de me amar por causa disso. Tem horas que dá vontade de ceder, mas penso que posso botar meses de educação no lixo e tento manter a linha. 


Quem não teve a oportunidade de assistir a uma palestra da Tania, vale dar uma lida em alguns livros dela. Ela além de ser especialista no assunto, sabe explicar muito bem, usando exemplos do dia a dia.

·      Filhos Adultos Mimados, Pais Negligenciados, Record, RJ, 2015
Filhos, Manual de Instruções: para pais das gerações X e Y, Record, RJ, 2011.
·     Limites sem trauma, construindo cidadãos, Record, RJ, 2000, 92a. Edição. Traduzido e publicado na Franca, Itália, Canadá, Espanha, México, Argentina, Uruguai, Cuba, Rep. Dominicana.

Educar sem culpa, a gênese da ética , Record, RJ, 1994, 28ª edição.

sexta-feira, 24 de julho de 2015

Relato de uma mãe de UTI: Leirielli, a mãe da Beatriz


Hoje quem aparece aqui no blog é a minha xará Beatriz, uma prematura que tomou um susto ainda dentro da barriga da mamãe Leirielli que sofreu um acidente de carro! Alguns dias depois do acidente ela quis conhecer o mundo aqui fora e mostrou pra todos que precisamos ter fé e sempre acreditar que tudo vai dar certo!

A Leirielli tem uma dica para as mamãe manterem a amamentação: "Recomendo a mamadeira MAM de baixo fluxo, assim o bebê tem que fazer mais força para mamar o que ajuda a mantê-lo no peito..."




Vamos conhecer a história da minha xará...



Era dia 05 de março quando saí às pressas do trabalho para ir ao obstetra, mesmo assim, estava tudo perfeito, havia acabado de ganhar um presentinho lindo para a Bia naquele dia. A caminho do consultório bati o carro! A princípio estava tudo bem, não havia acontecido nada com a Beatriz.


Alguns dias depois, um domingo dia 08, comecei a sentir muitas dores na barriga parecidas com cólicas, mas nem pensava em contrações pois só estava com 30 semanas e alguns dias. Tomei remédio para dores mas elas não passaram, e pior, ficavam cada vez mais fortes e frequentes. Foi aí que decidi ir ao pronto atendimento, odeio ir ao médico, por isso relutei tanto!

Ao chegarmos no médico, não demorou muito para que eu fosse atendida,  já era 1h da madrugada. Deitei na maca esperando a doutora dizer, "está tudo bem, vou te passar um sorinho", mas infelizmente meu maior medo aconteceu, ela me disse: "Vou te internar, você está com 4 dedos de dilatação". Entrei em pânico, como assim? Como aconteceu isso? Porque comigo? Caí no choro.. contei ao meu marido e ele tentou me confortar de todas as maneiras... Bom, entreguei nas mãos de Deus.

Fiquei durante 6 horas tendo contrações, então meu medico me deu um remédio para segurar o bebê. Fiquei em repouso absoluto durante dois dias até que não teve mais jeito, o bebê já estava encaixado e se demorasse mais para ela nascer correria o risco de pegar uma infecção devido à placenta estar exposta. Então no dia 11 de março nasceu minha pequena com 1,240 kg e 37 cm. Nasceu perfeita, respirando sozinha e super saudável.

No segundo dia quando fui visitá-la fui pega de surpresa, ela estava entubada... Que cena, meu Deus.... Passaram-se alguns dias e tiraram o tubo, mas devido a dificuldade para respirar precisou ficar no cpap por alguns dias. Tentaram tirá-la do cpap, mas ainda sim apresentava dificuldades para respirar, foi então que os médicos optaram por entubá-la novamente...Meu coração quase parou, pois aquilo era sofrimento demais para um ser tão pequeno. Nessa hora meu marido orou com toda força e fé que tinha e disse "Deus, nós precisamos de um milagre do Senhor neste momento, a Bia está sofrendo, e precisa de Ti... Nós cremos que o Senhor ainda opera milagres, então Senhor, o faça aqui!" após isso fomos para casa.

No dia seguinte, observamos que ela estava respirando bem, sem nenhum aparelho, e o médico nos disse que quando foi entubá-la, na hora de fazer a sucção de limpeza saiu uma secreção de sua garganta e era isto q a impedia de respirar normalmente. Sim, Deus fez o milagre!!!! Foi uma alegria imensa... Mais uma etapa vencida! A próxima? Ganho de peso! 

Minha pequena chegou a pesar 1,020 kg, o ganho era diário, mamando entre o meu leite e a fórmula ela chegou a 1,890 kg, foi quando teve alta da UTI neo com 40 dias de internação. Ficamos 1 dia no quarto de hospital e ela ganhou 25 gr, saindo então com 1,915 kg do hospital.

Hoje ela mama peito e fórmula, pois devido ao tempo em q ela ficou na UTI, meu leite tem baixa produção e está quase secando, mas ela continua saudável e linda, com quase 4 meses e 3,5 kg! Sem palavras para expressar a felicidade que é tê-la em meus braços em casa! Acredite, Deus ainda faz milagres!!!


Uma mini Bia ainda no hospital

Logo após o nascimento



Lindona com 4 meses


Se você quer mostrar sua história aqui no blog, mande seu relato (com ou sem fotos) para prematuridadeextrema@gmail.com

terça-feira, 21 de julho de 2015

Eu ODEIO o inverno!

Sim, eu odeio, sempre odiei, muito antes de ser mãe! Sou nascida e criada no Rio de Janeiro, sempre adorei praia, calor, sol... muuuuito sol! Me lembro na época do colégio (que a vida era muito boa e eu não sabia), eu estudava de 07 às 13h e depois ia direto pro posto 10 em Ipanema... ê vidão!!! Quando era menor ainda, sempre passava os finais de semana com meu pai na piscina do clube... ficava que nem lagartixa, estirada na espreguiçadeira...

Tudo bem que no Rio não tem um inverno de verdade... aqui o inverno dura 15 dias no ano, e não são 15 dias seguidos... são 3 dias com 17 graus... dali a três semanas, mais 4 dias a 16 graus... e assim vai passando o inverno carioca. No fim de semana dos dias 11 e 12/07 deu um praião! Calor de 34 graus... e eu não pude ir porque Malu estava com febre... e é por isso que eu ODEIO o inverno.

Ok ok.. entendo que muita gente goste do frio, afinal é bom ficar debaixo do cobertor vendo um filme, é muito bom comer fondue, sopa e outras gostosuras que só fazemos no inverno, a gente tira aquele casaco lindo do armário... mas eu duvido que mãe de criança de 0 a 3 anos goste de inverno.... eu du-vi-do! Ô época maldita para doenças respiratórias!!!!!! E olha que a Malu (como todos sabem) é a rainha da amigdalite, se fosse da bronquite eu já tinha tido um treco.

Na escola é um festival de meleca, tem sempre um com nariz escorrendo, tosse carregada... a gente deixa o filho na escola sabendo que em no máximo dois dias é o nariz dele que vai estar molhado! Este inverno tem sido especial (só que não) pra Malu. Como é o primeiro inverno que ela passa na escola, ela tem ficado muito resfriada. É uma semana boa, uma semana ruim, uma na escola, uma em casa.

Fico imaginando quem não tem com quem deixar quando o filho tem febre, deve dar um desespero! Quando ela parece estar 100% volta pra escola, e logo na entrada você dá de cara com o coleguinha mandando aquela tosse que parece que vai cuspir o pulmão. AHHHH NÃO!!!! No último inverno a Malu tomou uns remédios para a imunidade, e agora que ela já teve duas otites, uma amigdalite e 3 resfriados desde Maio, vamos repetir o ciclo para tentar aumentar a imunidade.

O que me faz odiar mais ainda o inverno é que no verão a Malu não deu um espirro, não teve uma febre, não precisou tomar nenhum remédio de Novembro de 2014 a Maio de 2015. Como o sol faz bem para a minha pequena! É uma menina solar como os pais! Fico imaginando se eu tivesse que me mudar para um lugar tipo Noruega, Finlândia... acho que teria que reprogramar meu cérebro para não ser uma pessoa triste.


Agora mesmo são 14h do dia 21/07, o sol brilha lá fora... mas já começou uma ventania louca! Já li que o tempo vai virar e já deve começar a chover hoje... essa mudança de tempo é braba (para não dizer outra coisa)... todo mundo de dedo cruzado, torcendo para o filho não ficar doente! 


Ahhh o verão!!!!!

sexta-feira, 17 de julho de 2015

Relato de uma mãe de UTI: Joice, a mãe da Helloisa Vitória

Seguindo com os relatos das mamães de prematuros, hoje vamos conhecer a incrível história da pequena Helloisa Vitória pelo olhos da mãe, a Joice. A Hello pra começar, veio ao mundo num hospital que nem UTI Neonatal tinha!!! Com muito esforço, família e equipe médica conseguiram transferência para um hospital com a estrutura necessária e após uma luta de 5 meses a Hello foi para casa. Hoje ela é uma linda menina de 4 anos que esbanja saúde!



"Engravidei com 16 anos, sempre tive sangramento desde o começo da gravidez e ouvi da médica que era normal por ser minha primeira gravidez. Na 23ª semana de gestação começou um fluxo enorme de sangramento, marquei uma consulta na obstetra de emergência e ela mandou me internar dizendo que eu estava abortando.

Chegando no hospital ela simplesmente olhou e disse que não queria saber de bebê morrendo na mão dela e que estava deixando o caso (isso tudo porque era medica particular). Me internaram com dilatação total e a Hello já estava encaixada. Foram 19 horas tentando segurar porém, o hospital não tinha nenhuma UTI neonatal nem estrutura para um parto prematuro. Não deram nenhuma medicação pra tentar segurar o parto nem para amadurecer o pulmão da Hello.

Às 10 horas da manhã do dia 5/05/2011 a Helloisa nasceu de parto normal, pesando 650 gr e medindo 31 cm. Sem conseguir nenhum leito neonatal, a tiraram e correram para uma incubadora improvisada que fizeram enquanto não conseguiam transferência. Foram intercalando médicos e uma máquina de oxigênio velha pra tentar mantê-la viva. 

Apenas 2 horas após ela nascer, eu ouvi a pediatra plantonista gritar em um corredor na frente de pacientes, médicos residentes e da minha mãe que o Deus que a gente tanto rezava não fazia nada, porque até aquela hora não tinham conseguido uma UTI neonatal para ela e era iria morrer. Aí veio a notícia que haviam conseguido transferência para uma cidade próxima. Transferiram ela bombeando o oxigênio à mão porque a máquina de oxigênio não cabia na ambulância.

Três dias depois consegui ver a minha princesinha, que até então eu não sabia nem o sexo. Em 3 semanas na UTI neo eles resolveram operar o coração pois estava com sopro. Após a cirurgia ela pesou 470 gr, desenvolveu uma bactéria no pulmão que desencadeou crises convulsivas diárias, várias paradas cardiorrespiratórias, crises de apneia... vi minha filha desfalecer na minha frente milhares de vezes e nunca perdi a fé nela, nos médicos e no meu Deus. Até que depois de tanta luta, com 90 dias de nascida ela foi extubada, ficou mais 23 dias no CPAP e depois mais alguns dias com ventilação dobrada dentro da encubadora. E pela primeira vez eu peguei ela no colo, depois de tanto tempo pude pegar ela, chorei tanto tanto tanto...

Aos 110 dias vi ela voltar pro tubo por causa de uma cirurgia em um dos olhos e ouvi da médica que quando ela saísse da cirurgia talvez não conseguisse sair do tubo novamente. Chorei de novo, mas ela se recuperou bem da cirurgia, respirando sozinha e depois de 1 mês fez a cirurgia no outro olho e superou mais uma vez as expectativas dos médicos. Por fim, dia 26/09 recebo a notícia dos médicos de que ela iria pro quarto para adaptação e depois iria pra casa. 

Dia 06/10 finalmente, depois de 5 meses, minha guerreira venceu a batalha e recebeu alta com 1,980 kg e 39 cm. Ela superou todas as expectativas dos médicos e está aqui firme e forte sem sequela alguma, com 4 aninhos de luta e muito amor."

Mini Helloisa

Cabia na palma da mão!


Canguru com a mamãe

Hoje com 4 anos, linda e feliz!

Quem quiser compartilhar sua experiência como mãe de UTI Neo aqui no blog é só mandar seu relato (com ou sem fotos) para prematuridadeextrema@gmail.com

terça-feira, 14 de julho de 2015

E aí? Não vai ter outro?

Ultimamente esta é a pergunta que eu mais escuto... Malu prestes a fazer 3 anos e todo mundo me pergunta se não vou encarar o segundo filho. Outro dia fui na minha ginecologista / obstetra fazer exame de rotina, entrei na sala e a primeira pergunta foi: “tá grávida?”.... Não!!!! Pelo menos não por enquanto, obrigada.

É normal que a sociedade te cobre o segundo rebento, todo mundo escuta que ter irmão é legal, que ser filho único é muito chato, etc, etc, etc... só que se a gente olhar pra trás, veremos que lá no início do século passado nossas bisavós e avós tinham pra lá de 6, 7...até 8 filhos! A grande maioria era dona de casa / mãe em tempo integral, o marido era o provedor dos recursos e o custo de vida bem inferior comparado aos dias de hoje.

Aí eis que as mulheres começaram a trabalhar fora, o custo de vida subiu, contas que não existiam antes de 1990 passaram a existir como telefone celular, tv a cabo, internet, academia... ou seja, além de ter pouco tempo para se dedicar aos filhos, ter um filho foi ficando cada vez mais caro para as famílias. Hoje em dia quem tem 3 tem muito, 4 então só ganhando na mega sena!

No nosso caso (digo nosso, meu e de vocês leitoras do blog) ainda rola o “fator prematuridade”! Todo mundo que passou por uma UTI Neonatal, dependendo do motivo, tem os dois pés atrás na hora de falar em uma próxima gravidez. O medo de que tudo aconteça novamente é mais do que normal, só nós que passamos pelo sufoco de ir pra casa e deixar o bebê num hospital aos cuidados de terceiros (por mais competentes que fossem) sabemos como isso é  doloroso. E pensar em passar por isso tudo novamente dá calafrios, não é mesmo?

Tenho várias amigas que dizem que não vão ter outro de-jei-to-ne-nhum! Que a experiência da UTI foi traumática e que não teriam coragem de arriscar novamente.  Eu as entendo perfeitamente, mas cada caso é um caso. Tudo depende do motivo da estadia do bebê na UTI, do porquê do parto prematuro... No meu caso, eu tive pré-eclâmpsia. Um raio de “doença da gravidez” que não tem muita explicação. Pode acontecer numa segunda gravidez? Pode, mas não quer dizer que vá acontecer. Já ouvi médico dizer que ter o segundo filho com o mesmo marido diminui as chances de ter a doença novamente, já ouvi médico que diz que isso não faz diferença. Enfim... o que eu tive foi beeeeem sério e eu descobri aos 48 do segundo tempo, com a Malu já entrando em sofrimento e eu com a pressão nas alturas.

Como sempre pensei em ter dois filhos, tentei não encarar a passagem pela UTI como algo ruim... tentei tirar dessa experiência coisas boas, aprendi muito... claro que sofri muito também, mas sempre tentei ser otimista e olhar o lado bom disso tudo. Vou parecer meio louca, mas vejam só... Me acho uma mãe melhor do que se a Malu tivesse nascido a termo, a Malu foi pra casa toda escaneada, examinada, ou seja, zerada! Sabíamos que estava tudo nos conformes, o que não acontece com um bebê que nasce de 9 meses, faz os exames básicos e vai pra casa. Aprendi com profissionais a cuidar de um bebê (tinha intensivo com médicos e enfermeiros durante 12 horas por dia por 85 dias, são mais de 1.000 horas de aulas práticas minhas amigas!!!!!!!), fiz amizades que vão durar para o resto da vida com pessoas que entendem o que eu passei neste período.. e para finalizar, comecei a explorar meu lado blogueira ajudando a mães até fora do Brasil! É óbvio que se você perguntar, qualquer mãe do mundo vai preferir não ter que encarar uma UTI Neo, mas como não tive esta opção resolvi sempre achar que o “copo estava metade cheio”.

Sim, eu pretendo ter o segundo filho mesmo depois de ter encarado a UTI Neo por longos 85 dias. A ideia inicial era não esperar tanto, mas circunstâncias da vida me fizeram adiar um pouco os planos para um próximo bebê. Na minha última ida à ginecologista / obstetra, quando ela me perguntou sobre o segundo, respondi que não estava a caminho ainda, mas continuava nos planos. Como descobrimos a pré-eclâmpsia já avançada (e olha que fiz todo o pré-natal direitinho, nas datas corretas), estou fazendo diversos exames desde o nascimento da Malu para acompanhar diversas doenças ligadas à pressão sanguínea, mas felizmente todos os resultados tem sido positivos e não fiquei com nenhuma sequela da doença. 

A ideia é que numa próxima gestação eu faça um acompanhamento especializado, já entrando com medicação para pressão assim que descobrir a gravidez, medindo a pressão diariamente, tendo consultas mais frequentes... enfim, tratando como uma gestação de alto risco, coisa que não fiz na primeira pois não tinha como prever. Isso tudo me deixa mais tranquila e confiante, pois notando qualquer avanço de uma nova pré-eclâmpsia já tomaria os corticóides a tempo e tentaria segurar o bebê sem risco para ambos.

Para as mamães que ainda tem medo e dúvidas sobre uma próxima gestação, procurem um obstetra especializado em alto risco que tire todas as suas dúvidas, explique todos os riscos e consequências. Isto é muito importante antes de você decidir  engravidar novamente, qualquer que tenha sido o problema na primeira gravidez. Não desista, procure ajuda especializada. Com o devido acompanhamento é possível aumentar a família sem passar pela UTI novamente!

Na foto meus irmãos Edu, Carol (de sangue), Annah e Manu (emprestadas), que me fazem querer dar à Malu a oportunidade de ter pelo menos um irmão mais novo para pentelhar e amar! Ahhh como adoro ser a primogênita!
Eu, meus irmãos e minha mommy poderosa (na foto abaixo à direita)


terça-feira, 7 de julho de 2015

Relato de uma mãe de UTI: Priscila, a mãe do Henrique

Esta semana recebi um e-mail da Priscila, uma leitora do blog que mora no Rio Grande do Sul e tem um prematurinho de 33 semanas chamado Henrique. Ela me contou um pouco da experiência dela na UTI Neo, trocamos algumas ideias e como cada história é única, perguntei se ela topava compartilhar o relato aqui no blog para ajudar outras famílias e ela  topou (obrigada Pri)!!

Abaixo segue um pouco da história da Priscila e do "guerreirinho" Henrique, que felizmente já está em casa se desenvolvendo super bem!



"Tenho útero Unicórnio (o órgão tem apenas metade do tamanho do normal) e somente  um ovário. Parei de tomar a pílula em Julho de 2014 e no mês seguinte fiquei grávida. Graças a Deus foi uma gravidez tranquila, não tive pressão alta, nem infecção urinária, não fumo, não bebo, não fiz repouso absoluto, mas me cuidei ao máximo possível pra não fazer muito esforço e não carregar peso. 


No dia 30 de março, com 32 semanas de gestação, ao levantar de manhã cedo pra fazer xixi, percebi que minha bolsa havia estourado. Corremos para o hospital. Como não estava tendo contrações nem dilatação, fiquei internada em repouso total por 6 dias, tomei as doses de corticóide, até que dia 4 de abril entrei em trabalho de parto e não pude mais segurar. 


Meu parto foi cesárea, pois ele estava sentado. Meu bebê nasceu de 33 semanas, com 1755g, ficou internado 16 dias na UTI, pra ganhar peso, mas em geral estava bem! O Henrique respirava sozinho, não precisou de oxigênio, se alimentava com a seringa, ficou pouquíssimo tempo com sonda. A UTI NEO do hospital da FURG permite que os pais fiquem com os filhos 24h por dia, mas isso era praticamente impossível devido ao cansaço que ficávamos naquele lugar onde mal tinha lugar pra sentarmos, cadeiras muitos desconfortáveis e não havia nenhuma sala para descanso dos papais e mamães. Mas fora esse detalhe, não tenho o que reclamar! As enfermeiras, médicos, Técnicas eram todos muito atenciosos com papais, mamães e bebes. 


Mesmo assim, era uma dor no coração quando chegava a noite e tinha que ir pra casa, minha vontade era ficar lá, mas sabia que tinha que ir pra casa relaxar, comer, tomar banho, dormir, pois caso contrário eu iria prejudicar a amamentação do meu filho. Falando nesse assunto, um pouco traumático no começo, aqui no Banco de leite do hospital da FURG, a ordenha é feita somente a mão! Tive muita dificuldade para tirar leite (no primeiro dia as enfermeiras tiram o leite e te ensinam, depois ficam só olhando) e sofri muito quando meu filho passou a tomar fórmula, já que eu não conseguia tirar leite o suficiente. Mas graças a Deus foi tudo muito rápido, e nos últimos dias ele já estava mamando no peito e eu já não ia mais no Banco de Leite. 


Na primeira semana em casa, ele ficou só no peito, mas na primeira consulta com o pediatra, ao ser feita a pesagem foi verificado que ele havia ganho pouco peso (ele teve alta com 2015g e 7 dias depois estava com 2085g) e seria preciso complementar com NAN.  Atualmente ele mama e depois toma mamadeira com NAN comfor. Ah se puderes, comenta no teu Blog pra outras mamães ficarem sabendo sobre a Mamadeira Philips Avent anticólica EU SUPER RECOMENDO! Ela é de fluxo lento, daí o bebe precisa fazer mais força pra tomar o leitinho e não fica malandrão querendo largar o peito.


Bom, apesar de todo esse susto e essa angústia de vir pra casa e meu bebezinho ter que ficar no hospital, me considero uma vitoriosa, pois hoje o Henrique esta em casa, com saúde, deve estar com 4kg e pouco... "


Primeira foto do Henrique

Método Canguru!!
Coloradinho mais lindo com 2 meses e meio

Na véspera de completar 3 meses

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quarta-feira, 1 de julho de 2015

Mãe zumbi

Quem nunca teve problemas pra botar o filho pra dormir que atire a primeira pedra... ou melhor, ao invés de atirar a pedra me mande um e-mail contando qual o milagre que você faz em casa. A Malu dormiu muitíssimo bem até um ano e pouco... depois começaram as tais fases.... 

Tinha época que pra dormir eu quase quebrava meu braço enfiando ele pelas grades do berço porque a Malu sempre teve a mania de dormir com carinho no ouvido. Você leu bem, não é na orelha não, é no ouvido!! Ela enfia meu dedo que eu acho que um dia acabo furando o tímpano dela!! Depois de um tempo ela acalmava e vinha a fase boa de dormir rápido, sem muito chororô... aí ficava nessa, tinha semanas que eu e o Roberto ficávamos um caco e outras que conseguíamos até assistir um filme depois de botar ela na cama na maior facilidade.

Eis que chegou o fatídico dia de tirar o berço, acho que foi lá por Setembro do ano passado. A Malu já estava ficando grande e com habilidades acrobáticas que me davam um certo medo dela escalar o berço e cair de cabeça no chão. Chamei a assistência do berço e pedi pra transformar em mini cama... e começou a novela. Comprei uns jogos de lençol das princesas da Disney pela Amazon e um belo dia, quando chegamos em casa, falei pra ela que tinha uma surpresa no quarto dela: a caminha das princesas!

Vamos combinar que eu fiquei mais animada do que ela!!! Botei uma grade pra ela não desabar da cama e lá fomos nós para a primeira noite. Com o raio da grade, eu não conseguia fazer o tal carinho no ouvido, muito menos segurar a mão dela sem acabar com a minha coluna! Peguei um banquinho pra botar ao lado da cama dela, mas já vi que não daria certo. Parti pro plano B, deitar na cama com ela. Funcionou bem e ela logo dormiu. No dia seguinte ela chamou o pai pra deitar com ela... com a delicadeza de um tiranossauro rex, o Roberto subiu de joelhos na cama e quebrou uma ripa do estrado!!!!!!!!!! #PapaiFail

Atualmente, nas noites mais calmas, quando eu falo que é hora de dormir ela nem discute, dá beijo de boa noite e ainda fala “durmi na caminha das picessas” e vai logo para a cama. Já nas mais agitadas... Ela deita comigo, dá 5 minutos pede pra chamar o pai e me manda sair... mais 10 min manda me chamar de volta e pede pro pai sair... e fica fazendo esse vai-e-vem umas 457 vezes! Papo de ficar 1:30h tentando domar a fera! 

A moda do momento é pedir para eu ler antes de dormir, ela escolhe os livros, eu leio... e depois "ela lê". São pelo menos uns 4 livros por noite, mas depois que eu digo que foi o último, ela tem topado fechar os olhos. Outra coisa que tem acontecido muito é o cocô noturno!!! Ahhhh que alegria!!!!! Logo após deitar, ela toma a mamadeira de leite e automaticamente levantar para ir ao “banheiro”, digo, armário. Ela entra no meio das minhas roupas, fecha a porta do armário e só sai de lá com a fralda recheada, imaginem o aroma de natureza que fica nas minhas roupas! Quase toda noite é isso, acho que ela já educou o intestino para funcionar depois que ela diz boa noite.

Mas o problema maior não é nem a hora de ir pra cama... nas primeiras noites acho que ela não percebeu que podia descer sozinha e ficou chorando até alguém aparecer lá... só que depois que ela sacou que o acesso ao meu quarto estava liberado, ela simplesmente surge na minha cama no meio da noite. Resolvi partir para o plano B! Alguém já ouviu falar de objeto de transição?  Então... a Malu nunca se apegou a nenhum bichinho, paninho, travesseiro... nada! Li em algum lugar que este tal objeto ajudaria na hora dela se acalmar para dormir, ou até mesmo se acordasse no meio da noite... pronto, lá fui eu para o shopping atrás de alguma coisa pra Malu se apegar. Rodei, rodei... e achei o gato fedido! Hahahaha sim, este foi o nome que demos para o gato! Ele é uma lindeza, daqueles fofos de apertar que tem um recheio de micro bolinhas, sabem? Só que o cheiro do recheio era bem artificial, não chegava a ser ruim, mas logo o apelidamos de gato fedido. Felizmente hoje ele não "fede" mais... aliás não fede nem cheira pra Malu, ela não está nem aí pro gato. #ObjetodeTransiçãoFail

Percebi que o objeto de transição sou eu e o pai mesmo... Como o meu lado da cama é o mais perto da porta, eu sou escalada durante a noite quando vejo tem uma filha passando por cima de mim para se aninhar entre nós e dormir o sono dos deuses. Só ela né? Porque eu e o Roberto ficamos levando chutes e socos durante a noite. Sorte a minha que a cama é queen size, senão eu ia deixar os dois lá para dormir sozinha na caminha das “picessas”. Alguém por favor me diga que um dia isso vai acabar?!?! Desde já agradeço!!


Parece até uma anjinha dormindo... Só que não!


O banheiro!!!!! Opa, armário!


A princesa e o gato fedido na caminha das picessas!