terça-feira, 26 de agosto de 2014

A importância das fases


Outro dia desses fomos ao pediatra e durante a consulta ele me fez algumas perguntas... “Se você der três ordens, ela segue duas?”, “ela calça os sapatos?”, “ela pula?”. Com base nas minhas respostas, ele consegue ver se a Malu está com o desenvolvimento dentro do esperado para a idade dela. São coisas que as vezes a gente nem presta muita atenção, mas que fazem muita diferença para o futuro da criança. 

É claro que as crianças não funcionam que nem relógios e as vezes rola um atraso, ou até mesmo uma rapidez para algumas coisas... e quando achamos que nosso filho está abafando porque fez algo muito mais cedo do que os amiguinhos podemos estar fazendo uma besteira enorme!!

Já comentei no blog que a Malu demorou a engatinhar e ao invés de sair andando que nem gatinho por aí, resolveu que queria ficar em pé. Isto logo me chamou a atenção, pois eu já havia escutado que não era legal o bebê pular fases. Na época a Malu tinha lá pelos seus 10 meses e não fazia o menor esforço para engatinhar... até aí normal, prematura extrema, a idade corrigida era de 7 meses... só que quando quis ficar em pé já mandei um “pópará”!

Fomos ao pediatra e a Malu que até então não havia feito fisioterapia, saiu de lá com indicação para que não pulasse a fase de engatinhar. Durante a consulta o Dr. Jofre me explicou que o fato de não engatinhar poderia acarretar em dificuldades e atrasos na fala, escrita e leitura quando a Malu fosse maior. Chegando em casa, além de marcar logo a primeira sessão de fisioterapia, fui estudar um pouco sobre os problemas que esta “pulada de fase” acarretam na criança.

O ato de engatinhar mexe com uma parte importante do cérebro, o mesencéfalo que é o responsável pelos movimentos corporais. Quando o bebê engatinha, ele começa a ter percepção do espaço a sua volta, aumenta seu campo visual e nota a distância e o volume dos objetos ao seu redor. Engatinhar ajuda a desenvolver grupos musculares na coluna, mãos, braços, ombros, pernas e fortalece os ligamentos que são essenciais para a coordenação motora fina. 

Resumindo, esta fase não é somente importante para o ganho de motricidade, ela uma nova fase do desenvolvimento neurológico do bebê. A coordenação entre os hemisférios do cérebro entra em ação para que a criança consiga enxergar e se movimentar simultaneamente... o corpo humano é incrível mesmo!

A Malu acabou fazendo a fisioterapia por uns 3 meses mais ou menos... ela odiava! Mas não tinha jeito, tinha que fazer. Era uma choradeira só, mas era para o bem dela. Fiquei satisfeita com o resultado e feliz por ter notado que era hora de conversar com o pediatra e pedir ajuda. A babá ficava de olho nas sessões e durante a semana ficava fazendo os exercícios com a pequena... com isso ela começou a engatinhar sozinha e pouco tempo depois andou e hoje em dia já corre por aí.... aliás, agora quem precisa de fisioterapia sou eu para poder acompanhar o ritmo da baixinha que é ligada em 220 volts!!!!!!
Não para quieta um minuto!!!!








sexta-feira, 22 de agosto de 2014

Filhos x Casamento + UTI Neo = ?????


Todo mundo sabe que filho não conserta casamento, e que a chegada deles deixa o casamento meio de lado pelo menos por um tempo. A mãe acaba se dedicando muito ao bebê e sobra menos tempo para o marido. O bebê vira prioridade número um da família e o pai e a mãe estão sempre exaustos nas horas que sobram (ou seja, quando o bebê dorme). Isto tudo num mundo normal, quando seu bebê vem perfeitinho com pelo menos 38 semanas, sem precisar de cuidados especiais. O casal vai pra casa com aquele par de bochechas rosadas, aperta o pause no romantismo e durante alguns meses só vão falar sobre fraldas, choro, peito, cólicas e etc.
 
Com os pais de UTI é um pouco diferente e MUITO pior. Os primeiros meses são no hospital, você se vê perdido no meio de um monte de informações, as preocupações são inúmeras e o medo constante. Cada dia uma novidade, você dorme mal, come mal e quando sobra tempo vai ao banheiro e liga pra família para dar notícias. Este é um momento de cumplicidade do casal, estão os dois lá lutando pela sobrevivência do filho, se doando e torcendo para que seu filho supere cada obstáculo. Acho que nessa época você nem tem tempo de se desentender com o marido, primeiro porque estão os dois com o mesmo objetivo (a alta!) e segundo, porque você está tão cansada que mesmo chegando em casa e encontrando a toalha molhada em cima da cama ou a tampa do vaso levantada, você releva e acha que não vale a pena perder 5 segundos do seu precioso sono reclamando com o dito cujo.
 
Pelo menos comigo foi assim, eu que ficava na UTI todos os dias, saía de casa as 07:30 e chegava as 23h sempre ultra mega super cansada. O Roberto ia a noite nas Terças, Quintas e Sextas, Sábado pela manhã e Domingo o dia todo. A gente só tinha um pensamento, a saúde da Malu. Em casa a noite ele normalmente segurava a minha onda, pois eu ficava triste de vir embora e deixar minha pequena lá... e nos finais de semana ficávamos nos revezando no canguru.
 
Depois da alta, a gente vive o que os pais de bebê a termo vivem logo após o nascimento, só que mais uma vez muito pior. Os cuidados com um prematuro extremo em casa são bem maiores, as preocupações são em dobro e o medo de voltar a internar não sai da nossa cabeça... vivemos intensamente cada minuto dentro de casa e como qualquer outra mãe esquecemos de comer, de pentear os cabelos, depilação então, esqueça! Viramos mulheres das cavernas prontas para defender nossas crias de qualquer perigo... exceto aquelas que tem 2 babás, cozinheira, passadeira, motorista... um marido rico para bancar esse povo todo... essas saem lindas com a barriga chapada, o cabelo escovado e a pele impecável na capa da revista apenas um mês após o parto! Como eu não faço parte deste seleto grupo, virei uma ermitã e ai do meu marido se reclamasse de alguma coisa, ia levar um chega pra lá.
 
Depois com o tempo as coisas vão se acalmando, a rotina vai se acertando e a vida a dois volta a existir (principalmente se você tem uma mãe ou uma sogra nota dez que fica com seu filho por algumas horas na semana)... ou pelo menos era isso que deveria acontecer. Só que nem sempre é assim. Um filho muda muito a nossa vida, digo isso como mãe... a gente bota eles no início da fila e o resto que se dane... só que com isso o casamento vai indo láááá pro último lugar da fila e tem marido que não aguenta e pula do barco a procura de atenção... ou então a mulher que começa a reclamar do marido o tempo todo, acha que ele deveria colaborar mais... ou ambos não chegam a um consenso sobre a como o filho deve ser educado...  coisas comuns de casais normais. Tenho conversado com muitas amigas que foram mães depois de mim e todas me perguntam se é assim mesmo... se não queremos ver o marido pintado de ouro nos primeiros meses pós parto... e é verdade, não queremos mesmo!!!! E imagino que deva ser bem complicado para eles entender isso tudo.. Muitas amigas estão com o casamento por um fio e isso é muito comum hoje em dia... mas é nessa hora que o casal precisa respirar fundo e trabalhar o verbo ceder.
 
Depois do nascimento da Malu, vejo cada vez mais que muitas coisas que eu dava importância antes, agora não tem importância alguma. Só reclamo quando acho que vale a pena e mesmo assim ainda tento reclamar com jeitinho carinhoso. Cada um tem que aprender a ceder um pouco de cada lado, porque se um só abre mão de tudo até funciona, só que por pouco tempo. O importante é o equilíbrio, os dois tem que cuidar de si e do outro (além de cuidar do filho, é claro!) e mesmo com os filhos ainda pequenos, tentem arrumar um tempo para o casal! Digo isso por experiência própria. Felizmente minha mãe é louca pela Malu e faz questão de ficar com ela aos sábados, então como meu marido joga bola sábado a tarde, eu vou com a Malu para casa da minha mãe e fico lá até o Roberto sair do futebol. Aí ele passa lá pra dar um beijo na Malu e saímos para pegar um cinema e jantar fora.
 
É essencial este tempinho só pra gente, nem que seja pra falar da Malu! O fato de distrair a cabeça, dar risadas no cinema, contar as novidades da semana (que não tivemos tempo de contar antes porque enquanto um bota a Malu pra dormir, o outro toma banho. Enquanto um faz o jantar, o outro cata os brinquedos..), namorar, sair com amigos para botar o papo em dia... isso não tem preço. Como a Malu acaba dormindo na minha mãe, no Domingo cedo eu já estou MORRENDO de saudades da minha baixinha, mas sei que separando um tempo para nós dois estou fazendo um bem para meu casamento, para a minha família.


FAMÍLIA :)


terça-feira, 19 de agosto de 2014

Quando o corpo diz que algo não vai bem (já que a Malu ainda não diz)

Quem acompanha o blog já está careca de saber que a Malu tem amigdalite em repetição. Se for fazer uma estatística 95% das vezes que ela ficou doente foi a maldita, só que como a Malu ainda não fala e não consegue explicar o que está sentindo, a febre alta precisa aparecer para eu ligar o alerta. A febre é um sinal de que algo não vai bem, que existe uma infecção e o corpo está tentando combatê-la... então a febre é um bom sinal! Sinal de que o corpo está reagindo... sim! Mas nós mães morremos de medo dela.

Diferente de uma gripe básica que normalmente não deixa o corpo passar dos 38 graus, a amigdalite faz a temperatura do corpo subir muito. A Malu já teve febre de 40 graus e chegou a convulsionar com 39,2 graus, como já contei em outro post sobre a convulsão febril. Depois que você vê seu filho ter convulsão febril, o seu medo da febre aumenta mais. Eu jamais vou esquecer a cena da Malu no carro tendo convulsão e eu costurando no trânsito para chegar a um hospital. Antes disso, a ordem do médico era dar remédio quando a febre chegasse aos 38, depois da convulsão, bateu 37,5 já to dando novalgina pra ela. Eu sei que não adianta entrar em pânico, me desesperar, o lance é ficar de olho e não deixar a febre subir, se for necessário dou banho, boto compressa fria (se a Malu deixasse seria ótimo) e vou tirando a temperatura de meia em meia hora.

Como a Malu ainda não reclama da dor na garganta, eu tenho que ficar de olho nos sinais... normalmente a febre começa baixa por uns dois dias, no terceiro ela já sobe e já que não consigo convencer a Malu de botar a língua pra fora e fazer “aaaaaaaaahhh” o jeito é tentar notar uma diferença no hálito dela. A amigdalite normalmente altera o hálito e a criança fica com um bafo diferente. Quando isso acontece... é batata! Coração de mãe não se engana...mas nem sempre a nossa opinião vale né? 

Duas vezes corri com a Malu para a emergência do hospital e lá fizeram tudo quanto era exame (urina, sangue e inclusive swab da garganta!!!) e não detectaram a amigdalite, precisei ir ao pediatra no dia seguinte para ele botar o palitinho na garganta dela e falar “óh lá o ponto branco!”. Como assim fizeram swab na garganta e não acharam nada?!?!? Pois é, com isso a gente aprende que só deve levar na emergência quando o caso for realmente grave, senão, melhor esperar a consulta com quem já conhece a criança e sabe do histórico.

Felizmente a Malu ainda não teve nenhuma crise respiratória, que é muito comum em prematuros extremos. O terror de toda mãe de prematuro é a tal bronquiolite (já abordada em outro post), que além dos sintomas de uma gripe comum, traz um chiado no peito que dizem ser inconfundível. Graças a Deus nunca ouvi, e a Malu dificilmente fica gripada e quando fica rola só um nariz entupido e uma tosse chata.


Outra doença bem comum nos pequenos é a otite. A Malu teve uma única vez e foi por conta de acúmulo de catarro no ouvido, mas ela também pode aparecer caso entre água no ouvido da criança. Ela pode ou não causar dor no ouvido, e na Malu a dor não apareceu, porque ela mesmo com a otite continuava pedindo carinho na orelha pra dormir... e não é um carinho simples, temos que enfiar o dedo na orelha dela, senão ela fica uma fera! O médico me orientou a não deixar a Malu tomar o leite deitada, pois ao sugar ela pode puxar o catarro pro ouvido.. eu nunca ia saber! Agora virou leite, só pode tomar leite sentada. Quando ela escuta o barulho da mamadeira já sai correndo pro sofá e ainda arruma as almofadas para encostar. Esta minha filha é uma peça...



sexta-feira, 15 de agosto de 2014

Miska... Muska!

Mês que vem vou levar a Malu para assistir ao musical do Mickey que vai estrear num teatro aqui do lado de casa. Ela é completamente louca pelo rato americano desde pequena e nunca enjoou. Entra Super Why e Galinha Pintadinha, troca para Backyardigans, passando por Peppa e Palavra cantada, o Mickey continua lá, reinando firme e forte. No início, achei que fosse pelo contraste, afinal bebês enxergam o preto e branco melhor do que as demais cores, mas já vi que não é nada disso. Malu foi ontem na oftalmologista, está tudo ok, ela enxerga o mundo a cores e o Pateta e a Margarida continuam no top five. Então a mãe aqui está ansiosa pelo espetáculo, pois nas três primeiras vezes que levei a Malu ao teatro, as reações foram diversas, porem nenhuma delas foi a que eu esperava.

Na primeira vez fomos ver a Galinha Pintadinha. A Galinha estava no ápice da bombação e era mais fácil arrumar ingresso para jogo da Copa do que pra ver a Pó-Pó... mas minha mãe que conhece meio mundo, deu um jeito e fomos nós ver o quase espetáculo da Brodway da Galinha. Chegando no teatro tinha uma galinha enorme disputada a tapa pelos pais para que seus pequenos tirassem fotos... e lá fomos nós posar com a galinha. A Malu tinha um ano e um mês, não tava entendendo quase nada, mas já adorava o raio do DVD da Galinha então imaginei que ela fosse pelo menos reconhecer as músicas bater palmas e tal. Fomos eu, ela, minha mãe e meus sogros. Todos empolgadíssimos, câmera na mão para registrar o momento.

Sentamos e a Malu lá rindo, fazendo graça... e eis que a cortina se abre. Pronto. Paralisou. Emudeceu. Ela ficou olhando aquilo tudo por mais de uma hora sem nem piscar. A idiota aqui cantava, balançava ela, tentava fazer ela bater palmas... que nada, parecia uma estátua com os olhos arregalados. Ficou assim até o fim do espetáculo e eu frustrada achando que ela ia amar, curtir horrores. É verdade que a grande maioria das crianças ficou estática igual a Malu, só as maiores é que dançavam e cantavam. Ok, ela era muito pequena... enfim fomos nós para a segunda peça... os Backyardigans.

Chegando no Village Mall, do lado de fora tinha um cartaz da peça... ela já começou a berrar apontando pro painel... eu já me animei, pronto, dessa vez vai curtir. Fomos nós duas e o Roberto, ela já devia estar com 1 ano e meio mais ou menos... entramos no teatro e estava tocando a música da abertura do desenho. Ela foi a loucura, se sacudia toda!!! Quando a luz se apagou e as cortinas abriram... .... .... .... silêncio. Ela até ficou uns minutos prestando atenção, mas depois a diversão era subir e descer as escadas do teatro. Foram umas quinze subidas e descidas. Mas pô, a peça era enoooorme, tinha até intervalo! No final um monte de criança já estava de saco cheio, e os pais idem!

Umas semanas depois o raio da Galinha resolveu entrar em cartaz novamente, e como a Malu já estava maior, resolvi arriscar novamente. Tiro na água. Parecia que tinha olhado pra medusa, virou pedra de novo. Mas impressionante é que quando sai do teatro parece que faz um clic no cérebro e a vida volta ao normal, ela volta a ser a Malu falante e sapeca. Fiquei imaginando o que deve se passar na cabeça dela. Ela tá acostumada a ver esses personagens na televisão, de repente do nada eles estão ali... como assim?! Fico pensando que nessa idade, como eles ainda não entendem que tem um cara dentro da roupa de Tyrone, ela acha que é mesmo o Tyrone que está ali!! Então se eu levar minha filha pra Disney ela vai achar que viu o Mickey e as princesas de verdade!!!!!! E eu que fui pela primeira vez a Disney com 7 anos e lembro pouquíssimo desta viagem, sempre disse que nunca levaria filho pequeno porque não aproveita... já mudei de ideia. Com 7 anos a Malu vai saber que o cara vestido de Mickey não é o Mickey, que a Bela não é Adormecida e que o Pato Donald é um mala sem alça.


Já comecei a me organizar pro ano que vem, quando ela fizer 3 anos. Partiu Disney. Sei que no fim das contas, eu vou acabar curtindo mais do que todo mundo, deve ser sensacional ver o brilho nos olhos da sua filha achando que está na casa do Mickey de verdade, entrando no castelo da Cinderela e tirando foto com a Margarida.  Depois conto a reação da baixinha na peça do Mickey, mas se em todo caso, ela travar novamente, a gente descola um objeto na Mickey engenhoca pra tirar ela do sério. Basta a gente gritar “Oh Toooodleeeeees” !!!!!

Primeira vez ao teatro e a cara de pânico da Malu "mãe tira essa Galinha gigante daqui!"

quarta-feira, 13 de agosto de 2014

O sono, ou a falta dele.

Todo mundo diz que criança tem fases... umas mais calmas, outras nem tanto. E com o sono não é diferente. A Malu foi um bebê muito dorminhoco, desde os 6 meses (3 meses corrigidos) ela dormia a noite inteira, no máximo dava uma resmungada e virava pro outro lado pra dormir de novo. Não posso reclamar, ela foi muito boazinha, só que esta bondade não durou pra sempre. Depois  que completou um ano, começaram as amigdalites em repetição e sempre que a Malu ficava doente (99,9% das vezes era amigdalite) o sono dela ficava todo picado, a febre subia e ela despertava. Mesmo doente, mesmo com febre ela acordava com a energia recarregada querendo brincar e eu ficava um caco no dia seguinte. Adotei a técnica de dormir no quarto dela quando rolavam estas amigdalites com febre alta, o berço dela no apartamento antigo era daqueles com uma bicama embaixo, então eu ficava logo ali embaixo para medir a febre durante a noite e tentar fazer ela dormir novamente, o que era bastante difícil.

Depois que ela ficava boa, normalmente o sono ficava bom também e tudo voltava ao normal... até o belo dia que resolvemos nos mudar. Sério, nunca achei que isso mexeria tanto com uma pessoinha. A Malu está super acostumada a dormir fora de casa, ela dorme na minha mãe todo santo sábado para eu e o maridão pegarmos um cinema, jantarmos fora... achei que ela tiraria de letra esta mudança, mas foi o caos. Ela passou a dormir muito agitada, ficava se mexendo com os olhos fechados e resmungando, como se estivesse tendo um pesadelo... só que os meus dias é que estavam virando um pesadelo, pois eu mal dormia e tinha que trabalhar no dia seguinte! As olheiras já estavam nas bochechas e eu não sabia mais o que fazer, foi mais de um mês nessa, até que comecei a pensar que não era mais a mudança de ambiente, que tinha algum outro motivo. Cheguei a suspeitar de refluxo, oh céus, a volta dos que não foram! Mas não... não era o refluxo felizmente. Do nada ela passou a dormir bem de novo... mas não por muito tempo!

De umas três semanas pra cá ela resolveu acordar de madrugada e pedir pra ir pra minha cama... afinal, anda mais gostoso do que cama de pai e mãe quando somos crianças. A baixinha acorda e começa a chamar “ma-ma, ma-ma”... se eu não vou logo começa o chororô... óbvio que tento botar ela pra dormir de novo no berço mas quase nunca funciona. Ela aponta pro meu quarto e não há santo que faça a Malu mudar de ideia. Fico revezando com o Roberto, até que um dos dois cansa e leva a baixinha pra nossa cama. Normalmente ela volta a dormir rapidinho e distribui chutes na minha cara, rouba o travesseiro do pai... enfim, mas pelo menos eu durmo.

Agora, o drama maior de todos é botar a Malu na cama, ô coisa difícil !!!! Como eu e o Roberto trabalhamos o dia todo fora, acho que quando ela nos vê, quer mais é brincar... então quando chego em casa brinco um pouco com ela, mas já trato de dar a mamadeira e botar o pijama... ela toma o leite vendo a Peppa ou os Backyardigans e quando eu falo “filha vamos dar tchau pra tv e vamos dormir?” ou ela manda logo um “nnnnnã!” e sai correndo pela casa... ou então ela finge que aceitou, dá tchau pra televisão e vai pro quarto. Quando coloco no berço ela parece que tomou red bull e começa a pular no berço! Ontem quando fui botar o pijama, ela simplesmente saiu correndo só de fralda pela casa e cada vez que eu tentava botar o pijama pela cabeça ela arrancava e jogava longe! Qualquer dia vou filmar e postar aqui no blog... na frente dos outros fica tímida e parece uma santa... quando tá só com a gente, toca o terror!!!


Já pensei em mudar a rotina, em dar banho a noite antes de dormir (ela toma banho antes do jantar ainda na casa dos avós)... mas ela faz tanta bagunça no banho que eu acho que vou acabar agitando ela mais ainda. Ah, e a novidade do momento é que na hora de dormir não serve só eu, ou só o pai, temos que ir os dois! Ela pede carinho dos dois e pega nossos rostos e junta para darmos beijo... e acha a maior graça no nosso beijo, fica rindo que nem boba! Ontem, depois do drama do pijama (que só acabou quando o Roberto deu praticamente uma chave de perna pra ela ficar parada) ela deu uma trégua... deitou no berço, me deu a mão e fiquei cantando até ela adormecer, já passava de 23h. Tratei de tomar logo meu banho e deitar, pois sabia que a paz não reinaria por muito tempo. Dito e feito, as 04:10 o alarme interno dela tocou e lá fui eu buscar meu pacotinho no berço. Levei pra cama e ela dormiu de babar até as 08:15.


Difícil pra convencer ela a dormir... mais difícil ainda é fazer ela acordar!!!!

quinta-feira, 7 de agosto de 2014

730 dias (retrospectiva 2 – a missão)

Há 730 dias atrás lá estava eu na Perinatal como todos já sabem com a roupa do corpo e o coração na mão. Tudo fora de hora, a família sem entender nada e eu lá tentando assimilar uma avalanche de informações médicas e sem acreditar que um bebê tão pequeno tinha chances de sobreviver fora da barriga. Após o susto, veio a batalha, 85 dias de uma montanha russa de sentimentos. Dias bons, outros nem tanto, muitas descobertas e uma torcida enooooooooorme dos amigos e família para que a Malu superasse cada obstáculo dentro da UTI Neo.

Enfim veio a alta e nos 645 dias seguintes muita coisa aconteceu. A Malu aprendeu a ficar de bruços, rolar, sentar. Tomou suco, comeu papinha de frutas e depois virou uma draga que come de tudo. Ama beterraba, brócolis, batata baroa e ameixa. Come melhor que eu, muito melhor eu diria. A licença acabou, o coração apertou e voltei ao batente. Corri da primeira babá, a segunda correu de mim e enfim na terceira acertamos!

Demorou a engatinhar, fez fisioterapia, engatinhou e logo depois correu! Aliás é uma espoleta, não para quieta, parece um moleque. Primeiro aniversário junto com batizado e (lei de Murphy) primeira gripe... tudo junto. Bolo, brigadeiro e parabéns! Entrou na natação, odiou a natação, saiu da natação. Viciou na Galinha Pintadinha, passou pros Backyardigans e a onda do momento é a Peppa Pig. Primeira amigdalite, segunda amigdalite, vigésima amigdalite... vai ser a rainha da amigdalite lá na... deixa pra lá. Amoxil, Clavulin, Azitromicina... I LOVE AZITROMICINA! Primeiro ano de palivizumabe, segundo ano de palivizumabe (última dose ganhou de presente ontem, na véspera do aniversário).

Mudamos de casa, ela estranhou a beça e resolveu acordar todas as madrugadas. Depois de umas semanas melhorou, agora quer ir para minha cama todas as noites. É pé na cara que não acaba mais, estou um caco. O vocabulário se restringe a: Ma-mã, Pa-táááá (é com T mesmo, porque o P não sai), Vovó Syl-diiii, Vovó Be-táaaaaa, Din-dáááááá!!!! Abô... nnnnnã (balançando muito a cabeça) e como já falei, as últimas sílabas de todos os Backyardings! Ahhh e essa semana finalmente aprendeu a responder “Malu, você quer leite?” QUÉ !!!!!

Água normal nem pensar, só bebe água de coco e suco. Virou rata de praia e não tem medo algum do mar. Medo ela tem é de gente, virou um bichinho do mato e só se solta com outras crianças. Se algum adulto estranho chega perto, ela trata logo de dar tchau e mandar beijo pra ver se a pessoa se manda. Resolveu odiar e amar meias. Ela odeia as meias no pé, adora tirá-las e dormir agarrada com elas, vai entender. Gosta de chamego, ver tv abraçada, dar beijos sem motivo e de carinho na orelha e nos pés.

Que venha o terceiro ano... e com ele muitas novidades, alegrias, saúde e muito amor! Parabéns para minha magrelinha arteira, que ela continue carinhosa e bagunceira... mas filha... pelo amor de Deus para de escalar o sofá e dar susto em mim. Te amo!






terça-feira, 5 de agosto de 2014

A correria para ser mãe (nos dias de hoje)

A gente só sabe quando se torna mãe de verdade. Não adianta tentar adivinhar o que é... Nem de longe é o que imaginamos antes de saber que temos uma sementinha na barriga. Ser mãe é muito mais. E as vezes este "mais" dói na gente. A Malu faz dois anos nesta Quinta e está começando a entender bem as coisas. De umas semanas pra cá ela está evoluindo a olhos vistos, está se virando pra se comunicar melhor e já está mostrando suas vontades... Mas o que isso tem a ver com a dor de ser mãe???

Pra mim tem sido muito prazeroso vê-la crescer, ficar esperta... Mas ao mesmo tempo dói demais não poder fazer parte disso tudo intensamente. Eu trabalho fora, saio de casa as 8:30 e só a vejo de novo por volta das 19:30. Antes de mudar de emprego era pior, passava hooooras no trânsito...as vezes penso que nem posso reclamar, mas mesmo assim reclamo. Depois que vi aquele caso pavoroso do menino que perdeu o braço por causa do tigre (prefiro nem comentar a negligência bizarra do pai) fiquei pensando nos limites que temos que dar aos nossos filhos e o problema que isso se torna na nossa cabeça já que não temos tempo suficiente para educá-los e dar a atenção que gostaríamos.

Todos os dias faço questão de acordar a Malu com carinho e beijinhos. Dou o leite e fico fazendo chamego até a hora que meu marido começa a falar que eu vou meu atrasar, blablablá, coisa e tal. Mas não adianta, não saio do lado dela enquanto ela não termina o leite e depois ainda ficamos vendo Peppa um tempo abraçadas. E aí chega a hora de sair... E começa o chororô. A  Malu resolveu há algumas semanas que não quer mais sair de casa pela manhã. Digo que ela vai brincar com a babá, os avós, que vai no parquinho, vai à piscina... Nada tem surtido efeito. Ela quer porque quer ficar em casa, e ai de mim se não ficar junto vendo tv ou brincando. É fato que passamos pouco tempo em casa, e como ela fica na avó paterna durante a semana e aos sábados passamos a tarde na avó materna, ela não curte muito o canto dela aqui em casa.

No último Domingo o Roberto saiu para ir ao Maracanã e quando a Malu acordou da soneca da tarde, perguntei a ela se queria sair pra passear. Ela logo se animou e foi até a porta da rua. Descemos o elevador e ela lá toda feliz, olhava pra mim e fala "ma-ma! ma-ma!". Eis que a porta do elevador se abriu e ela viu que estava na garagem. Pronto, começou o drama. Ela achou que íamos passear nós duas no calçadão ou íamos ao parquinho do prédio, quando notou que ia pra casa de outras pessoas já bateu o pé e começou o famoso "nnnnnã! nnnnnã!”. Nessas horas me bate um aperto no peito. Uma vontade de jogar tudo pro alto, mas infelizmente não posso. Para manter o padrão de vida que escolhi pra Malu, eu e o Roberto temos que correr atrás, não tem jeito.

Se eu parar pra raciocinar (porque mãe as vezes esquece que tem neuróticos), e olhar pro passado, fica fácil entender porque tenho me sentido assim. A minha geração na sua maioria foi criada por mães presentes. Eu mesma tive a sorte de ter minha mãe por perto quando era pequena. Ela trabalhava meio período, enquanto eu e meu irmão estávamos na escola, e a tarde ficava conosco... Só que os tempos mudaram, as contas multiplicaram (há 30 anos atrás não havia conta de celular, tv a cabo, ninguém frequentava bodytech, cada família tinha apenas um carro...) e agora está cada vez mais difícil ser uma mãe presente... por isso que a tal da culpa cai em cima da gente com tudo.. E é aí que mora o perigo!

Com a tal da culpa temos que nos controlar para não ceder... Passamos tão pouco tempo com nossos filhos que para não nos aborrecermos tendemos a ser mais permissivas. Que mãe que vai querer brigar com o filho se só tem o Sábado e o Domingo para curtir? É difícil encontrar o ponto de equilíbrio... As vezes cobro demais, as vezes permito demais. Erro tentando acertar, e assim vamos indo...


Na próxima Quinta, dia que a Malu faz dois anos eu estarei até tarde no trabalho por conta de um maldito pagamento de debêntures para investidores... As vezes me pergunto: porque raios fui trabalhar com finanças?!? Tanta profissão com horário flexível por aí e eu fui logo fazer faculdade de economia!!! Enfim, não adianta chorar o leite derramado. Resta-me a mega sena, só falta eu lembrar de jogar.  


Aproveitando o Domingo na praia!

Eu e Malu dando comida pro bode na fazendinha do condomínio da bisa Noemi.