terça-feira, 29 de julho de 2014

Retrospectiva...

Na próxima semana a Malu completa dois anos... parece que foi ontem... impressionante como o tempo voa mesmo! As vezes fecho os olhos e lembro de quando eu ainda a carregava no colo sem dificuldade (porque hoje além de grande ela não para quieta), de quando ela dormia em plena luz do dia com o barulho do aspirador de pó ligado... de quando a fralda tamanho P ficava grande!!! São muitas lembranças, umas boas outras nem tanto... mas tem certas coisas que ficam e vou aproveitar este post para fazer uma retrospectiva, e lembrar das coisas que mais marcaram nestes dois anos de vida da minha tukituki (mãe tem uma capacidade incrível de criar apelidos idiotas que não tem nada a ver com o nome da criança...)

1. A primeira vez que vi a Malu de verdade. Digo de verdade, pois após o parto o Dr. Jofre me mostrou um lindo repolho, era a Malu toda envolvida num pano verde e só com o rosto de fora... e foram míseros segundos. A primeira vez de verdade foram dois dias após o nascimento, quando eu tive alta da UTI... foi um choque. Eram muitos fios, ela era muito pequena, eu não sabia o que esperar e o impacto foi grande. Chorei... muito. Tive medo... MUITO... de perde-la.

2. As perninhas e bracinhos da Malu sempre pra cima. Eu ficava lá observando e pensando “como é que não cansa?”! Ela ficava boa parte do dia deitada de barriga pra cima com os braços e as pernas sempre mexendo, sempre pro alto, jamais relaxados. Dava vontade de dizer “filha, descansa pra não gastar energia!”

3. O cheiro do sabonete líquido da UTI. Eram muitas lavadas de mão por dia...toda vez que entrava na UTI tinha que lavar as mãos, se eu saia pra atender o telefone, ir ao banheiro, almoçar.. na volta lavava a mão de novo. Quando ia ao lactário, mesmo que fosse direto da UTI, lavava de novo... nem sei fazer um cálculo aproximado, mas diria que por dia eu lavava as mãos pelo menos umas 10 vezes no hospital. Contabilizando o período que a Malu ficou lá, umas 1.000 lavadas de mão, impossível esquecer o cheiro do sabonete.

4. O primeiro quilo. Quando a Malu nasceu eu nem sabia que era possível nascer com menos de um quilo, muito menos sobreviver! A Malu nasceu com 825gr (que depois eu nem achei tão pouco assim, pois logo na semana seguinte surgiu uma de 500 e poucos gramas do lado dela) e chegou a pesar 710 gr. A recuperação inicial é muuuuuito lenta. Eles levam muito tempo para recuperar o peso, pois normalmente ficam em dieta zero durante alguns dias e depois que começam a mamar é papo de 1ml de leite a cada duas horas... para ganhar peso assim tem que ter muita força de vontade! Quando vai chegando perto das 1.000gr começa aquela expectativa... ficava dois dias sem fazer cocô, quando fazia até perdia peso... e a ansiedade permanecia! No dia que ela alcançou o primeiro quilo eu e Roberto saímos para comemorar.

5. O primeiro colo. Sem palavras!!!!!! Peguei minha filha pela primeira vez quando ela fez um mês. Foi um colo totalmente desajeitado, pois ela estava cheia de fios, Cpap, e eu morrendo de medo do monitor começar a apitar e ela ter uma apneia nos meus braços... mas ela se comportou suuuuuuper bem, já eu nem tanto, porque saí com cara de choro em todas as fotos.

6. A retirada do Cpap. Nada foi mais importante pra mim nos 85 dias da Malu lá do que a vitória da retirada do Cpap. O fato de saber que minha filha tinha capacidade de respirar sozinha, sem a ajuda de aparelhos, não tem preço! Naquele dia 08/09/12 minha filha me dava a prova de que era uma verdadeira guerreira e de que me amava, pois no dia anterior havia pego ela no colo pela primeira vez...digo e repito, colo de mãe faz milagre!

7. O canguru de todas as tardes. Desde o momento que liberaram fazer canguru com a Malu eu fiz TODOS os dias até ela ficar maiorzinha e não curtir mais. Era o meu momento relax do dia, faltava só um fone com uma musiquinha hehehehe, mas eu tinha que ficar atenta aos apitos dos monitores. Nada mais gostoso do que botar a malu no meu peito e ver ela se aninhar. Mesmo com o frio da UTI, com a cadeira horrível e desconfortável, com os apitos incessantes, era o melhor momento do meu dia (e acho que do dela também).

8. Como as enfermeiras sabiam que tinha cocô. Gente, sério, quando uma criaturinha de menos de 800 gr faz cocô, é um micro cocô. Tudo bem que a enfermeira está acostumada, faz isso todo santo dia, mas quando elas chegavam perto e abria a janela da incubadora pra checar a Malu, já falavam “ihhh tem cocô, tá sentindo o cheiro?” . Óbvio que não! Que cheiro?? Como assim?? Cocô desse tamanho tem cheiro? Eu não sentia nada e fica boba quando ela abria a fralda e tinha lá um cocô menor do que um grão de feijão!

9. As apneias... não foram uma nem duas, foram dezenas e todas me assustaram. As primeiras são piores porque a gente não sabe o que está acontecendo, vem gente acudir seu bebê que está lá roxo sem respirar... depois a gente entra no esquema, o susto permanece, mas a gente já sabe o que fazer e se reestabelece rapidinho.

10. O sanduíche de carne assada do Maya Café! Aliás, tudo do Maya Café! É um café muito charmoso que fica a uns 5 minutos de caminhada da Perinatal e nos dias mais pesados eu ia para lá me refugiar na hora do almoço. Pedia o sanduíche de carne assada que era uma delícia e um mate da casa... e ficava lá com o meu celular viajando pelo facebook e twitter para tentar levar os pensamentos para outro lugar. Engraçado que eu morei a minha vida toda ali do lado e fui pouquíssimas vezes ao Maya... enquanto a Malu esteve internada eu ia ao menos 3 vezes na semana.

11. Encher duas mamadeiras no lactário. A primeira vez que fiz isso fiquei pasma. Depois virou rotina. Eu que sempre morri de medo de não conseguir amamentar, me descobri uma vaca leiteira. Eu sentava no lactário e em menos de 10 minutos eu enchia duas mamadeiras de 120ml. Uma vitória para mim, uma gasolina aditivada para a Malu e um gesto de carinho para os bebês da maternidade Fernandes Figueira que receberam meu leite.

12. As tentativas de mamar na mamadeira e no peito. Quando chegava nesse ponto era porque o bebê já estava bem e estável para passar para uma próxima fase... com a Malu foi mais complicado, ela teve muito dificuldade e precisou de sessões de fonoaudiologia, mas no fim, deu tudo certo e ela se tornou uma bebê totalflex, mamava tanto no peito quanto na mamadeira e continuou assim até os 9 meses!

13. O poder de adaptação de uma mãe. Em poucos dias, mesmo num período pós cesárea, eu acordava diariamente as 6:00, ordenhava, tomava meu banho e meu café... pegava o ônibus da Barra até o Aterro do Flamengo, de lá pegava outro ônibus até a Perinatal. Passava 10h na UTI fazendo pausas para almoço e lanche e fazia todo o caminho de volta. Chegava em casa depois das 22:00, jantava, tomava banho, ordenhava e ia dormir lá pelas 01:00. No dia seguinte começava tudo de novo... e o cansaço sumia toda vez que eu olhava pra minha filha. O ser humano se adapta a tudo, qualquer situação adversa, temporal, granizo, terremoto ou furacão que passe pela nossa vida... a gente se vira e segue em frente.

14. A alta. Essa não podia ficar de fora né? Dia 31/10/12... o dia mais feliz e mais nervoso... medo de não dar conta, sentimento de vitória, felicidade de tê-la em casa... tudojuntoemisturado! É como se fosse o segundo aniversário da mini.

15. Os choros de desespero em casa. Toda mãe vai entender. O primeiro mês é a treva das trevas!!!!!! A gente realmente acha que não vai dar conta e que isso é o fim do mundo! Chorei, me descabelei, mas depois tudo se ajeitou. O tempo passou e estamos vivas hehehe.

16. O primeiro tombo (e único até agora) de cabeça. Lembro que foi na semana do meu aniversário de casamento, ou seja, lá pra Outubro de 2013. Estava em casa com a Malu na minha cama, rolando de um lado pro outro, fazendo bagunça até que em questão de segundos ela dá um mergulho para o chão! E minha cama é alta! Chorei mais do que ela... acho que até assustei ela tadinha... Hoje em dia já aguardo o próximo tombo, pois ela fica o tempo todo que nem uma miquinha amestrada pulando no sofá.

17. A evolução... a gente comemora cada vitória, quando rola, quando senta, quando fica em pé.... mas pra mim foram especiais os primeiros passos! Amei ver a Malu andar... e até hoje em dia me derreto toda, quando chego para busca-la na casa dos meus sogros e ela vem correndo berrando com um sorriso no rosto quando me vê na porta.

18. O primeiro resfriado. Lei de Murphy total, a primeira vez que a Malu ficou doente foi na semana do Batizado/Aniversário de 1 ano. A gente programa tudo, faz uma festa linda e a filha tá lá toda dodói sem curtir nada e você também não, afinal é a primeira vez que ela fica dodói e você não sabe muito bem o que fazer.

19. MA-MA. No caso da Malu é mais MMMMMÃ. Quando ela me chama o M demora, como se fosse aquela onomatopeia de quando sentimos um gosto bom (hummmmm). Quando ela tá P da vida e eu não dou a devida atenção aí parece metralhadora “ma-ma-ma-ma-ma-ma!!!!”. Papai que é bom nada... tá parecendo o baby da família dinossauro, qualquer dia vai olhar pro Roberto e falar “Não é a mamãe”.

20. Os feedbacks do blog. Comecei a escrever sem acreditar muito no poder da internet, mas me surpreendi com o alcance e com o feedback de vocês. Fico ultra super hiper feliz de saber que estou podendo ajudar mesmo que de longe, algumas família que estão passando pelo que passei. Falar sobre a minha experiência e ajudar pais e mães de UTI é muito legal e gratificante. Quando a Malu estava internada, não encontrei muito material na internet, o que encontrava eram textos bem específicos, escritos por médicos, ou seja, uma visão bem diferente do que uma mãe sente quando está numa UTI Neo vendo seu filho lutar pela vida. Os e-mails, comentários, curtidas que recebo de vocês alegram os meus dias. Muito obrigada!


Minha bebê não é mais bebê... virou uma mocinha... e linda!

sexta-feira, 25 de julho de 2014

A curva de crescimento

Todas as mães já escutaram falar na tal curva de crescimento do bebê.. é uma curva que mostra qual a altura, peso, e perímetro encefálico médio para o bebê a cada mês, ou para a criança a cada ano. Normalmente o pediatra na primeira consulta pós alta te dá uma papel com esta curva, mostrando aonde o bebê está no gráfico e vai atualizando toda vez que o bebê for a uma consulta. A curva também está na carteira de vacinação do bebê, o pediatra da Malu atualiza lá as medidas dela. Ela é formada a partir de uma média mundial e a tabela padrão é a atualizada pela OMS (Organização Mundial da Saúde) que faz revisões periódicas para acompanhar as mudanças físicas sofridas pelas populações.
 
A última atualização ocorreu em 2006 – 2007, foram usadas 8.500 crianças para a pesquisa, todas lactentes e sadias e de todos os continentes. Os principais países participantes foram os Estados Unidos, Noruega, Brasil, Gana, India e Oman. Deste total, pelo menos 20% das crianças ainda mamavam no seio materno, nenhuma era gêmeo, nenhuma era prematura e todas as mães eram não fumantes. Esta foi uma importante atualizando, já que a última curva disponível era de 1977 feita pelo NCHS (National Center for Health Statistics). No gráfico existem várias curvas (percentis) mostrando aonde está a média calcula percentualmente, o que toda mãe quer é ver seu filho no percentil 50, ou seja a média das médias!
 
Aí a mãe toda prosa aqui pega o papel na primeira consulta da Malu e cata o ponto... que ponto? A Malu não existia no gráfico! Era um ponto fora do eixo x! Hoje em dia eu até rio disso, mas quando a gente tá lá com aquela coisinha pequena e vê o quanto falta pra ela chegar na curva mínima (sim, porque pra média, haja arroz com feijão)... bate um desespero! Você ouve de todo mundo que até 2 ... 3 anos seu filho alcança a média... mas quando cai a ficha do longo caminho que ele tem pra correr atrás, parece impossível. Mas felizmente não é!
 
A Malu hoje em dia ainda não tá na média, mas na última consulta, com 1 ano e 10 meses ela estava pesando 9,85 kg e medindo 81,5 cm e o pediatra disse que está ótimo! Ela está entre o percentil 15 e 50. Ela é magrinha, mas saudável. Claro que ela não vai ser uma criança enorme, afinal eu e o Roberto não somos altos e felizmente nós não temos tendência para engordar, então espero que a Malu continue com seu corpinho de miss.
 
É importante que o pediatra faça este acompanhamento pela curva de crescimento, pois através dela é possível detectar qualquer falha no processo de crescimento e assim agir o quanto antes para sanar o problema. Um destes problemas, muito comum nos dias de hoje, é o sobrepeso infantil, que pode levar a uma obesidade na fase adulta. Lembro bem que quando eu era criança eu era muito menor que as minhas amigas e por conta disso o pediatra pediu a minha mãe que fizesse uma radiografia da minha mão para calcular a idade óssea. Com o resultado do exame ele viu que eu ainda cresceria durante um tempo... e não é que aconteceu isso mesmo? Lá pelos 14... 15 anos alcancei e até passei algumas amigas. Agora to de olho na curva da mini... que nem é mais tão mini assim.

Estas são as curvas usadas atualmente e disponibilizadas pela OMS.


A introdução das frutas

A Malu mamou no peito até os 9 meses (quando ela mesma encheu o saco e largou), mas aos 6 meses o médico liberou a introdução de sucos e papinhas doces. Pelo que vejo por aí é o que acontece com a maioria das crianças, leite materno (ou fórmula) até os 6 meses e a partir daí vamos substituindo algumas mamadas pelas papinhas doces e salgadas. A maioria das mães entra em pânico neta fase, pois o bebê não aceita a papinha de primeira (claro!) e com a Malu não foi diferente.

Comecei com o suco que eu dava logo após o banho de sol. Sempre de laranja lima. No primeiro gole rolou uma careta horrível e uma cara de “cadê o leite pô?”. Mas foi só no primeiro dia, depois ela logo gostou daquele suquinho delícia e tratava de mamar tudo. Assim fomos durante algumas semanas até eu tomar coragem para dar a papinha.  Esperei um fim de semana para que minha mãe estivesse junto e lá fomos nós amassar a banana. Escolhemos uma bem madura (o médico fala que tem que dar daquela quase preta que a gente já acha que tá boa pra jogar fora!), abri ao meio e retirei as sementes pretas... são aqueles pontinhos preto, eles que ajudam a segurar nosso intestino quando ele está solto, mas bebês não precisam disso.

Depois de amassar bem, lá fomos nós oferecer a banana pra Malu. Era automático, o que entrava, saía. Ela odiou! No dia seguinte, nova tentativa, agora com maçã... odiou de novo! Lá pro quinto dia, eu já estava achando que minha filha seria uma bezerra para sempre e só tomaria leite! Mas já havia escutado que temos que oferecer pelo menos 10 vezes um mesmo alimento para que a criança se acostume com o paladar. E continuei... a banana ela odiou por muito tempo, sério, meses. O resto das frutas ela foi curtindo aos poucos, hoje come todas sem restrição.

Nos primeiros meses o médico pediu que evitasse frutas muito cítricas (tanto nas papinhas quanto nos sucos), então ficamos  nas mais tradicionais: maçã, pêra, mamão, abacate, melancia... e ela foi começando a gostar da brincadeira. Aí depois que ele liberou geral comecei a inventar umas papinhas, e como toda prematura que se preze tem dificuldade de ganhar peso, ele liberou farinha láctea, geleia de mocotó e biscoito maisena para aumentar a caloria. Uma vez tasquei no mixer manga com biscoito maisena, ficou tão bom que até eu comi um pouquinho!


Hoje em dia a Malu gosta das frutas mais azedas. Não dispensa uma uva verde, um kiwi e é completamente alucinada por ameixa vermelha. Se eu der mole no hortifrúti, ela se joga do carrinho pra alcançar uma ameixa! E pra quem duvida, tá aí a prova.

Impressionante como adora o raio da ameixa!





sexta-feira, 18 de julho de 2014

Lei do Prematuro


Pegando gancho no post anterior, quando eu tive a Malu, eu trabalhava nas Organizações Globo, uma empresa privada que não é obrigada por lei a dar os 180 dias de licença maternidade. Mas felizmente eles me deram esta opção, e além disso eu ainda tinha 47 dias de férias para tirar, então pude ficar com a Malu até ela ter 7 meses e meio. Mas com a maioria das mãe não é assim. Boa parte das empresas privadas tem que dar os 120 dias de licença que são obrigatórios por lei e só. Digo SÓ mesmo, porque quem é mãe sabe que 120 dias é pouco... e quem não pode largar o emprego para ficar em casa sofre quando tem que voltar ao batente.

Para mães de prematuro a situação ainda se complica mais, pois uma parte da licença acontece quando ainda estamos com o bebê internado. Eu passei 85 dias da minha licença dentro de uma UTI, e quando minha filha foi pra casa com 85 dias de vida, ela tinha a idade corrigida de um recém nascido. Ou seja, se eu tivesse apenas 120 dias de licença, teria que voltar a trabalhar quando a Malu tivesse 35 dias de idade corrigida, ou seja, 1 mês... imagina a loucura?!?! Se fosse isso mesmo, acho que eu pediria as contas mesmo sem poder pedir hahahaha (rindo pra não chorar).

Vejo pelo Facebook que muitas mães começam a ficar desesperadas quando a licença está perto do fim... tenho algumas amigas que abriram mão da profissão para ser mãe, mas  todas tiveram seus bebês a termo. No caso das mães de prematuro, este pânico é bem maior por diversos fatores... primeiro porque enquanto seu filho está lá na UTI você está uma pilha de nervos, não pode cuidar do seu bebê como gostaria, não passa 24hs ao lado da cria... enfim, nem preciso explicar né? Depois vem o medo de voltar a trabalhar e deixar seu bebê que é mais frágil que os nascidos com 9 meses aos  cuidados de terceiros. Por mais que o terceiro seja alguém de confiança, até mesmo um parente... a gente acha que quando a gente faz sempre fica melhor não é?

Fico pensando nas mães que não tem tem escolha e tem que deixar o filho na creche... aí é tomar todos os cuidados possíveis e rezar para que o pequeno não pegue tantas doenças. É fato que na creche o bebê acaba se desenvolvendo mais rápido, pois é mais  estimulado e da forma correta (já que há profissionais lá para isso), mas como já mencionei aqui, o pediatra me recomendou e eu concordei em não enviar a Malu para creche por enquanto.

Mas voltando ao assunto central, existe uma lei chamada Lei do Prematuro, que ainda não está em vigor no Brasil (felizmente já é válida no RJ e SP para funcionárias públicas) que dá o direito da mãe aumentar sua licença de acordo com o período que o bebê ficou internado, ou seja, se seu filho ficou 40 dias no hospital, você terá mais 40 dias em casa com ele. Muito legal isso não? Entendo que as empresas privadas podem aderir se quiserem, mas olhando pelo lado do empregador, deve ser bem complicado ficar tanto tempo assim sem uma funcionária. Hoje em dia com o mercado de trabalho cada vez mais complicado, as mulheres acabam optando por nem pedir este aumento de licença com medo de perder o emprego quando voltarem.

A PEC 58/2011, conhecida como Lei do Prematuro foi aprovada na câmara dos deputados, mas ainda precisa passar pelo senado. Existe um site aonde você pode assinar uma petição apoiando a lei (http://aleitamento.com/campanhas/lei-prematuro_assinar.asp). Vai lá dar uma forcinha !!!




terça-feira, 15 de julho de 2014

O fim da licença maternidade


Quando estava grávida, ficava imaginando que quando a licença terminasse, a Malu estaria com 7 meses (eu tinha 6 meses de licença + 1 de férias) e eu voltaria super tranquila ao trabalho, botaria ela numa creche e pronto. Hahahahahahahahahaha! Só rindo... e muito! Antes de ser mãe a gente ACHA que sabe das coisas... só acha mesmo. Não posso dizer se teria sido diferente se a Malu tivesse nascido a termo... não tenho como saber... só sei que voltar a trabalhar não é fácil, nem um pouco.
 
A Malu foi pra casa com 85 dias, quase três meses.. imaginem se eu só tivesse 4 meses de licença e não tivesse férias para tirar? Acho que pedia demissão! Felizmente eu tive 7,5 meses (6 de licença, 1 de férias e 15 dias das férias que eu estava tirando quando a Malu nasceu) e aproveitei muito cada dia. Éramos só nós em casa, optei por não ter babá neste período... é muito cansativo, mas ao mesmo tempo muito gratificante fazer tudo sozinha. Saber que a gente da conta e que tudo vai sair exatamente como a gente quer... porque por mais que a gente delegue as coisas, nunca sai 100% como queremos, só quando a gente arregaça as mangas mesmo.
 
É claro que a esta altura o lance de botar na creche já tinha ido pro espaço! Eu não teria coragem... porque a Malu com 7,5 meses cronológicos era uma coisa micra de 4,5 meses corrigidos... e o pediatra também falou que seria melhor adiar ao máximo a creche. Felizmente tenho sogros nota 1 milhão e eles toparam ficar com a Malu em casa com o auxílio de uma babá. Então quando faltava um mês para eu voltar ao batente contratei uma babá para ela já ir se acostumando com a rotina da Malu enquanto eu ainda podia estar presente. É claro que não acertei de primeira, mas como está bem difícil arrumar babá aqui no RJ, fiquei com essa que era boazinha apesar de atrapalhada.
 
Se não me engano voltei a trabalhar dia 18/03/13, meio ressabiada, meio com o pé atrás, mas voltei. Eu precisava ter minha rotina de volta... falar de coisas que não fossem fralda, cocô, mamadeira, peito, sono...ZzzZzzZ aliás, até o relógio biológico voltar ao normal demora... chega um momento que a gente se acostuma a não dormir a noite e não dormir de dia hahahaha! Viramos zumbis! E damos conta! Enfim... o primeiro mês foi meio sufoco... duas vezes durante o dia eu ia pra uma sala tirar leite para o peito não explodir, mas não tinha como ir em casa, pois moro na Barra e trabalhava no Leblon na época.
 
Nos primeiros dias foram muitas ligações pra casa da minha sogra, mas a Malu encarou bem... melhor do que eu. Mas a babá era muito trapalhona e achava que sabia mais das coisas do que e do que a minha sogra (sendo que a babá não era mãe, mas beleza...). Aí já viu né ? Eu me irritava, mas ao mesmo tempo estava longe... ela peitava a minha sogra, enfim, uma situação ruim a beça e eu que jamais tinha pensado em ser mãe 100%,  comecei a pensar em como faria para manter o padrão FIFA lá em casa sem trabalhar. Fiz as contas e vi que não dava... o Roberto sozinho não tinha como segurar as pontas com a quantidade de despesas que optamos ter, então eu teria que continuar super-mãe, trabalhando de 9 às 19h e fazendo segundo turno durante a noite.
 
Mas depois que a gente vira mãe a gente bota os neurônios para funcionar e tenta pelo menos melhorar o que não está agradando.... e o tempo que eu ficava no trânsito longe da minha filha estava me deixando loooouca! Eram pelo menos 1:30h para ir + 1:30h para voltar. Eu não aguentava mais... minha filha ia crescer e eu não ia ver.... isso tinha que terminar... já que não dava pra mudar a casa pra perto do trabalho, vamos mudar o trabalho pra perto de casa! E em menos de um mês após meu retorno, consegui uma entrevista para um emprego perto de casa... e passei! Com dor no coração saí da Globo aonde trabalhei por 5 anos, ao lado de amigos maravilhosos e vim para um novo desafio, agora pertinho de casa. E já que era pra dar uma sacudida e levantar a poeira, dispensei a babá trapalhona e fui a caça de outra.
 
Graças a Deus (e a Raimundinha, empregada da minha sogra que a indicou) a Ju caiu do céu para cuidar da Malu. Sabe quando você simpatiza na hora? Ela era tudo que a Malu precisava, uma babá ligada em 220v! A Malu já é ligada em 220v, então elas se dão suuuuuuuuper bem, a Malu AMA ela e eu fico feliz. A Ju está há um ano lá na casa da minha sogra e eu venho pro trabalho muito tranquila. Sei que minha filha está sendo bem cuidada, com os avós perto pra paparicar e de quebra agora demoro menos de 15 min para chegar em casa. Realmente não posso reclamar... consegui um esquema para conciliar a vida profissional e pessoal e minha filha está crescendo num ambiente familiar, cercada de pessoas que a amam e eu posso participar bem mais, já que não fico mais presa no trânsito infernal do RJ (que está pior que SP).
 
Hoje em dia admiro a coragem das mães que deixam seus filhos na creche... deve ser muito difícil deixar um bebezinho que não sabe dizer o que sente com pessoas estranhas, num ambiente cheio de outras crianças com vários vírus e bactérias... e a gente deixa mesmo assim porque não tem opção e sabe que o filho vai ficar doente, e sei lá como essas mães fazem, porque quando o filho adoece a creche manda buscar... e aí faz como? Trabalha como? Nem todo mundo tem um chefe bacana que entende isso... essas sim são as verdadeiras super-mães. Eu sou só uma mãe que trabalha fora e tem uma super estrutura familiar para ajudar... e agradeço a Deus todos os dias! 

Mãe, Bisa, duas Avós e Dinda paparicando. Família é tudo de bom!!!

domingo, 13 de julho de 2014

A saga para arrumar roupas que caibam!


Só de ler o título do post muita gente deve estar imaginando a dificuldade em arrumar roupas que coubessem em mim grávida. Não!!! Engordei apenas 6 kg (no dia do parto estava com 60 kg) e durante a licença  perdi 12 kg virando um esqueleto ambulante! A dificuldade era arrumar roupas para a Malu, minha mini mini mini Malu. Enquanto esteve na incubadora não precisou de roupas, mas quando foi pro berço ainda na UTI o drama começou. É muito difícil arrumar roupa para prematuros no Brasil, este é um mercado muito pequeno e que merecia ser explorado (alô empreendedoras de plantão!). Mesmo as roupas tamanho RN ficavam muito grandes na Malu e mesmo depois de ir para casa com 2,5kg sobrava pano para todo lado.

Como o bebê se suja muito nestes primeiros meses, a gente acaba precisando de um bocado de roupas... toda hora é golfada, é cocô que vaza e minha mãe ficava numa correria louca para manter as roupas da Malu limpas. Além de ser difícil de encontrar, eu não queria gastar dinheiro com roupas tão pequenas que deixariam de servir logo. Tem algumas que realmente parecem de boneca, para bebês menores de 1kg... quando a gente mostra pros amigos todo mundo acha impossível que a Malu tenha cabido naquelas peças. Até eu me assusto hoje em dia olhando para as roupas menores.
Sempre que conheço alguma mãe que acabou de ter uma prematurinha ofereço as roupas da Malu, até porque pra menino é complicado... dada a dificuldade de arrumar estas roupas, não temos opções de cor, é tudo rosa pra meninas e azul para meninos... então 90% das roupas de prematuro que tenho são cor de rosa! Algumas peças eu guardei como recordação e para mostrar para Malu como ela era pequena... e quem sabe ela não vai vestir as bonecas com estas roupinhas... mas além disso há o medo de ter outro bebê prematuro... já escutei muita coisa... tem médico que diz que quem teve pré-eclâmpsia na primeira gravidez provavelmente terá na segunda... tem gente que diz que na segunda gravidez com o mesmo parceiro a chance é menor, já que se trata de uma incompatibilidade entre homem e mulher e que só ocorre na primeira gestação... enfim, minha médica diz que pode ser que ocorra ou não, não há comprovação científica para a causa da pré-eclâmpsia. Enfim, isto é papo pra outro posto, em outro ano... ainda estou longe de arrumar uma irmã (o) pra Malu.
Outro dia estava lendo o post de uma grande amiga minha de infância, a Marisa que tem um blog chamado Eco Maternidade (www.ecomaternidade.com.br), e o post era sobre artigos de segunda mão. Ela mora nos Estados Unidos e lá é muito comum a venda de roupas usadas (ou as vezes nem usadas foram!) além de outros artigos. Aqui no Brasil não temos tanto esta cultura... aqui temos o costume de doar as coisas para pessoas mais pobres. Não que eu ache que não devemos doar... sim devemos, mas sem o intuito de nos livrar de coisas que não precisamos mais! No nosso país tem muita gente que precisa... mas certas peças poderiam ser revendidas a preços módicos e serem reaproveitadas por outras famílias. Vejo algum movimento surgindo no Facebook com alguns grupos de venda de artigos de criança usados e acho isso bem legal.
Enquanto isso vou guardando as roupinhas preferidas, até porque quando vier o segundo não sei se será segundo ou segundA! Acho que meu marido tem um treco se vier outra menina quando ficarmos grávidos... ele que é vidrado em futebol já ensinou a Maria Luísa a beijar o escudo do Fluminense e se eu deixasse comprava até chuteiras pra ela. A menina tá ficando tão ensinada que pode estar passando Criciúma x Sport, se sair algum gol ela levanta os braços e sai correndo pela casa.

Isso um dia coube na Malu.... Sério!!!!!! E sobrava!!!



sexta-feira, 4 de julho de 2014

Icterícia e Vitamina D

A primeira imagem que tive da Malu (tirando os dois segundo que ela foi mostrada pra mim na sala de parto parecendo um repolho envolvida num lençol verde), foi dela rodeada de luzes azuis. Eram aparelhos em cima da incubadora e ao lado também jogando nela uma luz azul além de um holofote de luz amarela. Chegando perto vi que ela estava super fashion usando óculos escuros para proteger os olhos dos raios... era o famoso tratamento contra a icterícia. Grande parte dos bebê recém nascidos (prematuros ou não) desenvolve a icterícia. Esta doença nada mais é do que um nível alto de uma substância chamada bilirrubina. O bebê fica com a pele e o branco dos olhos amarelados ou alaranjados e isto ocorre por alguns motivos.

Quando uma hemácia (célula vermelha do sangue) se rompe, a hemoglobina vira bilirrubina que tem cor amarela e normalmente passa pelo fígado e depois é eliminada nas fezes do bebê. No caso dos recém nascidos e principalmente dos prematuros a icterícia surge por conta da prematuridade do fígado que não consegue processar a grande quantidade de bilirrubina que está no organismo neste momento. Pode também ocorrer apesar de muito rara, a icterícia do leite materno aonde substâncias do leite reduzem a eliminação da bilirrubina pelas fezes. Estas icterícias são as mais comuns em recém nascidos e podem aparecer até o décimo dia após o nascimento. Outra causa é incompatibilidade do sangue entra mãe e filho, quando a mãe tem o Rh negativo e o filho positivo as hemácias se rompem mais rapidamente e a quantidade de bilirrubina fica muito alta, neste caso a icterícia normalmente é detectada logo no primeiro ou segundo dia de vida.

O perigo desta doença esta na intoxicação pela bilirrubina que pode causar lesões no sistema nervoso, mas isto só ocorre com níveis muito elevados da  substância. Normalmente a icterícia some espontaneamente conforme o bebê começa a mamar com maior regularidade  e quantidade e com isso elimina a bilirrubina pelas fezes. Caso o médico ache necessário,  ele irá prescrever a fototerapia, que é o tal banho de luz que a Malu tomou. Estas luzes ajudam a diluir a bilirrubina e ela fica mais fácil de ser eliminada pelo intestino. Este é um dos maiores motivos de bebês a termo frequentarem a UTI Neonatal da maternidade mesmo que por um ou dois dias. Lá eles recebem este banho de luz quando a icterícia é detectada.

Nos casos de icterícia mais leve, é provável que o banho de sol resolva o problema, mas lembre se sempre levar o bebê para tomar sol super cedo, a pele deles ainda é muito sensível e o sol mais forte pode causar queimaduras. A Malu descia comigo antes das 8 para tomar sol e lembro que em Dezembro as 07:30 já era um sol de rachar, eu não conseguia  ficar com ela mais de 20 minutos no sol! E já que estamos falando de sol, vamos aproveitar para falar da importância da vitamina D que a mãe passa para o bebê pelo leite, mas que precisa do sol para se tornar ativa.

A vitamina D é necessária para o desenvolvimento ósseo e também para o sistema imunológico ajudando no tratamento de doenças auto imunes como a esclerose múltipla e a artrite reumatóide. Além de importante para o bebê, ela é essencial para os adultos e principalmente para as grávidas, pois a ausência da vitamina pode resultar em abortos espontâneos no início da gestação e favorece o surgimento da pré-eclampsia no final da mesma. Além de fortalecer os ossos, a vitamina D ajuda a prevenir a diabetes e contribui para a força muscular...  por isto é tão importante o banho de sol nos pequenos... só que por outro lado somos bombardeados com a informação de que o sol é prejudicial à saúde...

Em países com clima tropical como o Brasil a carência de vitamina D é menor do que em países mais frios, já que o sol é responsável por 80% da vitamina D que precisamos, mas para isso é preciso se expor ao sol (diretamente sem protetor solar) e aí vem o velho dilema, já que os dermatologistas não receitam o banho de sol. É claro que sabemos de todo o mal que os raios UVs causam, e que o correto é não pegar aquele solzão de uma da tarde, mas se não pegarmos sol algum precisaremos de complemento de vitamina D.. e é isto que ocorre com bebês do hemisfério norte. Em muitos países aonde o inverno é rigoroso e as crianças não conseguem se expor ao sol, é prescrito um complemento de vitamina D em capsulas, e para bebê há a vitamina D em gotas.

Muitos alimentos contem a vitamina D como o atum, a sardinha o ovo, a carne bovina e o queijo cheddar (nada de correr para o Mc Donalds, ok?), só que seria necessário comer um caminhão de atum para suprir nossas necessidades diárias, por isso o sol acaba sendo o principal aliado já que os suplementos só devem ser utilizados com orientação médica para que não haja uma super dosagem. A super dosagem é perigosa podendo causar alta concentração de cálcio no sangue afetando gravemente os rins.


Então, sendo prematuro ou não a receita é simples... se suspeitar de icterícia, procure logo o pediatra e sobre os banhos de sol, peça orientação ao seu médico e nunca exagere! Aqui no RJ se a gente sofre com o sol, imagine os bebês! Sempre leve água ou suco quando for expor o bebê ao sol... pra ele e para você!


Malu Malulé cara de chulé tomando um solzinho na praia!