terça-feira, 22 de abril de 2014

A promoção!!!!

Então, como eu já disse em outro post... colo de mãe faz milagre!!!!!! Com a prática do canguru a Malu foi ganhando peso cada vez mais rápido e no dia 19/09/12 com apenas 1,4kg ela foi promovida para a UTI2! Vivaaaaaaaaaaa! Mas foi tudo no susto (senão não tem graça vai), acho que os médicos não te avisam nada com antecedência para não criar expectativas.... saí pra almoçar, quando voltei entrei na UTI1 e minha pequena não estava mais lá!! Cadê Malu?? Sumiu, desapareceu, escafedeu-se!!!!!!!

Os médicos me informaram que ela tinha sido promovida para a UTI2 e que quando estavam passando pelos corredores com a incubadora meus sogros chegaram e estavam lá dentro com ela. Fiquei mais tranquila e aproveitei para participar da reunião dos pais. Quando meus sogros foram embora corri pra ver como era o mundo da pré alta! A UTI2 é bem mais espaçosa e lá as baias são grandes, como se fossem quartos sem porta e ficam até 4 bebês dentro de cada baia.

A Malu chegou para bagunçar a baia dos trigêmeos que estavam lá, filhos da Solange. Os bebês dela se não me engano tinham nascido de 35 semanas e todos já estavam no bercinho. Malu chegou na incubadora para dar uma decorada no ambiente. Lá cada mãe tinha uma poltrona, a luz era amena e como os bebês eram mais estáveis não se escutava tanto apito de monitor. Ahhhh a UTI2, que maravilha! Na real, na real meeeesmo não mudava nada... é que nem emprego, quando a gente é promovido, mas continua fazendo o mesmo trabalho chato que fazia antes... não interessa, foi reconhecido e ainda vai ganhar mais! A Malu agora ia ganhar a companhia da mãe dela por mais tempo! E dos avós também, porque na UTI2 a rotina era menos dura, as médicas quebravam um galho e deixavam os avós ficarem mais do que os 30 minutos semanais.

Eu ficava mais tempo dentro da UTI2, pois era mais confortável, eu preferia ficar lá do que na sala dos pais. Na UTI1 além do banquinho desconfortável, era tudo muito apertado, o barulho incomodava e estressava a gente... eu acabava saindo para relaxar um pouco. Como na UTI2 a Malu já estava bem mais estável, sem Cpap e sem fazer apneia há alguns dias, ela pode começar a usar roupinhas de verdade!

A Eliane, irmã do meu padrasto estava nos Estados Unidos quando a Malu nasceu e trouxe um pack de bodies da Carters tamanho preemie. Sim! Lá fora existe roupa pra mini seres como a Malu. Esses bodies começaram a ficar bons quando ela estava com mais ou menos 1,5kg e viraram o xodó das enfermeiras. Elas achavam o máximo aquele mini body! E claro, eu guardei alguns para a Malu cair pra trás quando crescer achando que era roupa da boneca e não dela.

Hoje em dia no Brasil o menor tamanho que  você acha em lojas para bebê é RN (recém nascido). E uma roupa RN engole um prematuro! Eu lembro quando fui a uma feira de artigos infantis no Humaitá e comprei um macacão tamanho RN... minha mãe logo disse para eu não comprar muitas coisas pequenas, pois perderia rápido... hahaha, mal sabíamos... depois foi uma luta pra arrumar roupas que coubesse na pequena. Sorte da Malu que ganhou este kit de fora, pois aqui é bem raro encontrar coisas tão pequenas. 

Lá na Perinatal uma das enfermeiras vendia roupas para prematuros, sério... olhando parece mesmo roupa de boneca, eram blusinhas que pareciam aventais que só amarravam nas costas. Enquanto o bebê está na incubadora, beleza, a roupa é só pra deixar bonitinho... o problema é quando sai da incubadora! Mas este papo de largar a casa de janelas redondas fica para outro dia.

Não sei se ela ficou mais linda por causa do body, mas acho que foi o body que ficou mais lindo por estar nela!

Relaxando após a promoção.


sexta-feira, 18 de abril de 2014

Fan Page Facebook

Pessoal,

Para facilitar, criei uma fan page no Facebook para avisar sempre que tiver post novo.

Quem quiser é só acessar e curtir!
www.facebook.com/prematuridadeextrema

Beijocas,
Bia e mini Malu :)

Método Canguru

Depois de ter pego a Malu pela primeira vez (07/09/12), vieram me perguntar se eu já tinha feito o canguru... feito o que? Canguru? Que raios é isso?!?! Já que a Malu estava sem o Cpap, falaram que o método canguru era muito mais benéfico pra ela do que pegar no colo como pegamos um bebê a termo. Lá fui eu fazer o tal do canguru pela primeira vez dia 09/09/12.

O método canguru surgiu na Colômbia em 1979, mais precisamente no Instituto Materno Infantil de Bogotá. Na época o Instituto não possuía incubadoras suficientes para a quantidade de bebês internados, muitas vezes colocavam até três bebês na mesma incubadora. Isto aumentava muito o risco de infecção e alguns bebês começaram a ficar em estado grave, por isso, os médicos deixaram as mães pegá-los no colo para se despedir. Foi aí que notaram que no contato pele-a-pele com a mãe, o bebê apresentava uma leve melhora. O coração desacelerava e a respiração ficava mais uniforme acompanhando a da mãe.

O método consiste em deixar bebê apenas de fralda junto aos seios da mãe. Dependendo do ambiente, se tiver ar condicionado, o ideal é botar uma touca e uma manta para o bebê não sentir frio. Pode-se ficar assim por horas, quanto mais tempo melhor! Depois de algum tempo começaram a notar que este método trazia muitos benefícios para o bebê (e na minha opinião para os pais também). Além de obviamente aumentar o vínculo entre mãe/pai e filho, este método comprovadamente diminui a permanência hospitalar, diminui as chances de infecção hospitalar, estimula o aleitamento materno, diminui o estresse do bebê entre outros.

Na primeira vez que fiz o canguru, achei simplesmente o máximo. Coloquei a Malu dentro da minha camiseta e lá ela se aninhou. Ficou me agarrando com aquelas mini mãozinhas e relaxou. Sentir o cheiro dela, a pele dela, o calor, o amor... enfim, sentir minha filha como se fosse MINHA mesmo, não tem preço! Ela dormiu e ficou no meu colo por horas. A cadeira era desconfortável, o barulho dos monitores idem, mas eu não estava nem aí, só queria ficar lá com minha mini. Dava pra sentir que ela gostava muito de estar alí... eu ficava fazendo carinho... cantando.... e a partir desse dia eu fiz canguru todos os dias que estive lá até a Malu não querer mais. Sim! Estes pequenos tem vontade própria! Quando chegam lá pros 1,8 kg... 2 kg começam a ficar incomodados. O calor e o aperto vão incomodando os bebês e aí o jeito é pegá-los no colo como de costume.

Tenho saudades do canguru sabe? Não da UTI, da Malu com 1,4 kg... longe disso! Mas o método me ajudou muito. Me fez sentir muito mais segura dentro da UTI. Comecei a ter muito mais coragem para mexer nela, trocar fralda, dar o leite pela sonda. A gente se sente mais mãe, sabe? É muito bom poder fazer parte do dia-a-dia do seu bebê e o canguru te dá um empurrãozinho. O legal é que lá na Perinatal eles também encorajam os pais a fazerem. Muitos tinham medo, mas o Roberto fez, umas três vezes. Ele botava a Malu na camisa e ficava me perguntando se estava direito, se ela não estava escorregando. E lá ficavam os dois, de olhos fechados, curtindo o momento... e a mãe babona aqui só observando.

Eu acabei pegando uma camisa para ser a camisa do canguru. Não é essa da foto, pois neste dia fui pega de surpresa para fazer pela primeira vez. Peguei uma camisa velhinha, cortei um pedaço em cima pra cabeça da Malu fica de fora e guardava ela lá no meu armário da Perinatal dentro de um saco plástico. Na hora do canguru que normalmente rolava depois do meu almoço, eu trocava de camisa e ficava lá com a minha pequena durante umas 3 horas, até ela ter que trocar fralda, pois o leite e os medicamentos eram dados com ela no meu peito mesmo. Assim a camisa foi ficando cada vez mais com o nosso cheirinho e eu guardei para depois poder mostrar pra Malu aonde ela tirava as sonecas da  tarde depois de encher a pança de leite.

Malu curtindo o colo da mamãe

Mamãe com cara boboca (pra variar)

Mas era muito mini essa Malu!!!!

Papai Canguru (com a Malu mais gordinha)

Que peito peludo é esse???

segunda-feira, 14 de abril de 2014

Família ê... família ah... família!

Quando eu ainda estava na UTI, logo no dia seguinte ao nascimento da Malu, minha mãe e minha sogra estavam lá comigo quando chega o Roberto perguntando se elas não queriam visitar a neta. As duas quase enfartaram de emoção e foram lá ver a pequena antes de mim. Como eu disse em outro post, os avós e os irmãos do bebê internado tem direito a fazer uma visita por semana. Tudo precisa ser previamente agendado para a UTI não ficar muito cheia.

Eu acho muito bacana eles permitirem isso, pois é importante para a família, mas principalmente para o bebê. Os bebês sentem quando tem alguém por perto conversando com eles, sentem o toque, sabem quem está ali só por amor. A maior prova que tive foi a Malu largar o Cpap no dia seguinte após o primeiro colo. Tem coisa melhor? Sei que são apenas alguns minutos por semana, mas eles fazem toda a diferença.  Claro que não podem liberar muito, afinal é um ambiente que precisa de um controle rígido de higiene e não pode virar bagunça. Durante a visita dos avós a Helena, psicóloga da Perinatal, tentava sempre estar presente. Ela conversava com eles, tirava dúvidas... aliás a Helena é um amor de pessoa. Aquela que está sempre com um sorriso no rosto pronta pra ajudar.

Durante a internação da Malu, tentamos criar uma rotina de visitas. Meus sogros iam normalmente as Quartas de tarde e minha mãe e minha avó iam nas Sextas pela manhã. Na primeira visita da minha avó, a minha mãe explicou pra ela como era, que o ambiente era um pouco assustador, pois ela veria a Malu com tubos, eletrodos e tal... e que se ela não aguentasse,  não podia chorar lá dentro! Que era só para passar coisas boas pra bisneta, então se desse vontade de chorar, que chorasse do lado de fora.

Quando elas entraram, eu fiquei do lado de fora, pois na UTI 1 só podem ficar duas pessoas com o bebê, aproveitei para ir ao lactário. Aí, minha mãe me contou que as duas estavam lá paparicando a Malu... quando do nada minha vó começa a fazer cara de choro... minha mãe falou “mamãe, falei que não era pra chorar aqui!”... aí minha avó explicou que não era por causa dos bebês que ela estava chorando... é que ao lado da incubadora da Malu, estava a incubadora da Gigi... que ainda era a umedecida. O pai da Gigi não podia abrir as janelinhas, então ele estava cantando e fazendo carinho na incubadora. Pronto, partiu o coração da véia.

Acho que foi aí que minha mãe teve uma ideia... para que a Malu não se sentisse tão sozinha dentro daquela casa de acrílico com janelas redondas, pediu para minha avó fazer um bonequinho daqueles de dormir, um soninho... só que micro, micro soninho. Ele ficou uma graça, era um tiquinho menor que a Malu, todo sorridente. Quando elas levaram o boneco, as enfermeiras enrolaram ele com papel filme e botaram dentro da incubadora. Pronto, agora a Malu tinha com quem bater um papo nas madrugas! Batizei ele de Boneco Neco e preciso confessar uma coisa... depois que a Malu saiu da incubadora pro berço, chego um dia na UTI ela estava comendo o Boneco Neco! Aí levei ele pra casa... hoje ele continua fazendo companhia pra Malu a noite, só que agora se a Malu pisar nele, ele some.

Meu sogro no início ficou receoso, tinha medo de tocar na Malu... normal, quem vê um bebê daquele tamanho sente medo mesmo, parece super frágil. Mas depois ele se acostumou e foi se apaixonando por aquela miudeza de neta... Hoje ele é o melhor amigo da Malu. Os dois tem uma sintonia incrível, dá gosto de ver! Minha sogra não perdia uma semana, mesmo quando meu sogro não podia ir, ela estava lá firme e forte... e eles foram os primeiros a saber que a Malu tinha ido para a UTI 2, antes mesmo de mim! Chegaram lá na hora que ela tinha sido promovida.

Além deles, quem teve o privilégio de visitar a pequena foi a minha cunhada Chris, irmã do Roberto. Ela é médica obstetra e por conta disso tinha a facilidade de entrar lá mesmo não sendo avó ou irmã da Malu. A Chris tinha se programado para estar aqui no nascimento da Malu, que seria na segunda quinzena de Outubro. Ela morava no interior do Amazonas como médica do exército... só que, como se sabe, a Malu nasceu bem antes e ela não pode vir... veio só quando a Malu já estava com uns 2 meses, mas deu colo e tudo e virou a dinda da mini.

Uma pessoa que conheci lá e se tornou um exemplo pra mim foi a Dona Telma, avó do anjinho Lucca que aos 9 meses foi pro céu. Ela ia pra lá TODOS os dias com a filha dela, a Érica. Mesmo sem poder entrar para ver o neto, ela estava lá, ficava no quarto dos pais, conversava com todos. Dava força, orava, sabia da história de cada bebê. Comemorava cada alta como se fosse a do neto dela. Uma mulher incrível, humilde, que pegava um trem lá de Saracuruna, mais sei lá quantos ônibus até a Perinatal só para não deixar a filha sozinha, pois o Antônio, marido da Érica, precisou voltar logo ao trabalho. Ela virou avó de todos ali, acreditou até o último minuto que o neto dela iria pra casa, uma mulher de fé e com coração do tamanho do mundo!

Olha o Boneco Neco aí geeeeeeeente!!!!

sexta-feira, 11 de abril de 2014

A tal da Palivizumab

Parece palavrão, mas não é. O nome é feio, o preço então ... é horroroso! Mas quando o médico diz que seu filho tem que tomar, você já pensa logo em vender o carro! Felizmente a Malu atendia os pré-requisitos e conseguiu o medicamento no ano passado pelo SUS.... mas vamos à saga para conseguir a tal vacina que não é vacina.

A Malu teve alta da UTI em Outubro de 2012, pertinho do verão... bem longe do tão temido inverno que colabora para a proliferação das doenças respiratórias. Ela estava com as vacinas em dia e não tinha tido nenhuma gripezinha sequer.

Nós, mães dos prematuros nascidos na mesma época lá na Peri de Laranjeiras, criamos um grupo no Facebook para manter contato, e uma das mães começou a comentar sobre uma tal vacina que nossos bebês nascidos com menos de 29 semanas teriam que tomar. Já viu né ? Foi aquele pânico, enxurrada de mensagens!! Vacina? Que vacina? Aonde eu arrumo isso? Tem no posto? Tem na clínica particular? Quanto custa?

A Malu ainda estava no esquema de consultas mensais e na consulta seguinte já fui munida do meu questionário anotado no iPhone... chegando no consultório já perguntei logo ao Jofre sobre a tal vacina de nome complicado. Ele me disse que ainda não estava na época e que em Março ele me explicaria o procedimento e como eu conseguiria o medicamento. Mas a ansiosa aqui não aguentou e é óbvio que já fui procurando tudo no Google!!!

Como os prematuros tem o pulmão mais frágil, estão sujeitos à complicações quando tem alguma doença respiratória, principalmente as ligadas aos vírus que se alastram no inverno. A maioria das infecções respiratórias agudas ocorrem por conta dos vírus influenza A e B (a famosa gripe) e do VSR (vírus sincicial respiratório). Este último eu nunca tinha ouvido falar até então! Não existe uma vacina para o VSR (diferentemente do Influenza), pois na década de 60, ao testar a vacina, várias crianças apresentaram doença grave e depois disso nunca mais fizeram outros experimentos.

Por conta disso, a prevenção é feita com um anticorpo anti-VSR chamado Palivizumab. Entre os meses de Abril e Agosto, os bebês prematuros extremos com menos de 1 ano e os bebês com menos de 2 anos que apresentam doença pulmonar crônica ou cardiopatia grave, devem tomar o medicamento. As doses são aplicadas a cada 30 dias e conseguindo a liberação dentro do prazo o bebê toma no total 5 doses. Cada dose é ministrada de acordo com o peso do bebê (15 mg/kg).

Até aí tudo bem, mas o complicado é conseguir a Palivizumab, pois é um medicamento muito caro e mesmo quem tem muito dinheiro, cai pra trás quando descobre o preço... aí levanta rapidinho pra juntar a papelada e dar entrada no SUS. Cada dose de 1ml da Palivizumab custa nada menos do que R$ 6.000,00!!! Fui fazer as contas aqui, e pelo peso atual da Malu, este ano ela terá que começar a primeira dose com 1,5 ml! Ou seja, R$ 9.000 por mês durante 5 meses no mínimo! Porque se pensar que ela vai ganhar peso ao longo dos 5 meses, a dose vai ficando cada vez mais cara!!!

Como eu não tenho árvore de dinheiro em casa, corremos atrás pelo SUS no ano passado e vamos tentar este ano novamente. O que pega é que muitos pediatras que não são neonatologistas normalmente não sabem o procedimento, qual a documentação, ou seja, o caminho das pedras para conseguir a Palivizumab. Graças ao Dr. Jofre eu recebi tudo mastigado. Ele nos deu um papel com toda a documentação da Malu que deveríamos entregar e o formulário para preenchermos, bem como as receitas médicas feitas por ele mesmo. Com tudo em mãos, o Roberto foi até a Rio Farmes no Centro para dar entrada na papelada e tirar a carteirinha do SUS da Malu.

O local fica bem cheio e o atendimento é super lento, mas alguns dias depois recebemos a resposta positiva. Malu foi contemplada com as 5 doses! Pelo seu CEP eles decidem em qual UPA (Unidade de Pronto Atendimento) você deve levar o bebê e em qual data. Aí toda vez que você vai lá eles já te informam a data da próxima aplicação. Lá na UPA o negócio é beeeeeeem lento também. Como eu e Roberto trabalhamos fora, sempre preferimos ir logo cedo.... só que a UPA abre as 8h... você chega lá as 8h... e cadê o médico e a enfermeira para aplicar a injeção?! Senta e espera... e espera... e espera mais um pouco. Quando a Malu era um bebê de colo beleza... quero ver agora... vai querer sair correndo pelo raio da UPA. Tô ferrada...

Quando te chamam, você entra, eles conferem os dados do bebê... pedem pra você deixar o bebê sem roupa para a pesagem. Depois de pesar o bebê eles calculam a dose e preparam as seringas. Se for mais de 1ml é necessário dividir a dose em duas injeções, uma em cada perna. Ah! Toda vez que você vai lá, mesmo depois de ter entregue toda a documentação, você tem que levar uma receita datada e assinada naquele mês com estatura e peso da criança (se eles pesam na hora pra calcular a dose, a receita com o peso de dois dias atrás não vale de nada, vai entender... êêê burocracia).

Este ano estamos tendo um pouco mais de dificuldade para dar entrada na papelada, como já falei anteriormente, mudamos de pediatra e ele não está acostumado com este processo de pedir o medicamento pelo Governo do Estado. Para preencher o formulário, precisamos de um número de CNES (Cadastro Nacional de Estabelecimento de Saúde) e o pediatra da Malu trabalha para o Hospital Pedro Ernesto da UERJ que tem este CNES, só que na hora dele dar a receita para a Palivizumab ele usou a receita do consultório dele que não possui CNES. Aí o Roberto foi lá na Rio Farmes e não conseguiu dar entrada. Imagina o bom humor do marido me ligando da Rio Farmes? Enfim... vou pegar novas receitas e lá vamos nós de novo... xô gripe, xô tosse, xô pneumonia!




terça-feira, 8 de abril de 2014

Tubo, Cpap, Hood e Cateter... os amigos do pulmão

Quando a mulher tem uma gravidez de risco e sabe antecipadamente que seu filho pode vir ao mundo antes do tempo, normalmente ela recebe injeções de corticóide próximo a data do parto, para acelerar a maturação do pulmão do bebê. Tive amigas que tiveram que ficar de repouso absoluto, com colo do útero apagado, ou fizeram cerclagem e aí os médicos preferiram dar o corticóide, pois caso o bebê viesse antes do tempo, já estaria com o pulmão mais forte. 

Mas quando tudo acontece de uma hora para outra, nem sempre temos tempo de receber este corticóide, ou dele fazer efeito. E este foi o caso da Malu e de muitos outros prematuros por aí...

Quando ela nasceu precisou ser entubada pois não estava conseguindo respirar sozinha... falando assim parece até cena de filme de terror, mas não é. O tubo é bem pequeno e passa pela boca do bebê indo até a traqueia e fica preso por um esparadrapo no rosto do bebê. A imagem do bebê de do Cpap é bem mais assustadora  que a do tubo. Felizmente a Malu ficou entubada por apenas um dia, e isso graças a técnica usada pelo Dr Jofre que já mencionei em outro post. Eles utilizam cafeína para tentar extubar o bebê o mais rápido possível.

Alguns bebês com insuficiência respiratória grave precisam ficar entubados por um período maior, ou isto pode ocorrer se equipe médica utilizar outro tipo de técnica e preferir não extubar o bebê precocemente. Lá na Perinatal, conheci gêmeos que ficaram mais de 2 meses entubados. Eles nasceram num hospital em outro município do Estado do Rio e lá eles não utilizavam esta técnica da Perinatal. Só que quanto mais tempo o bebê fica entubado, mais dependente do oxigênio ele se torna e fica cada vez mais difícil extubá-lo. Este casal de pais, buscou ajuda na Perinatal e o Dr. Jofre foi pessoalmente buscar cada um dos meninos. No dia seguinte em que foram transferidos, eles foram extubados e começaram a luta para largar o complemento de O2.

Após retirar o tubo, quando o bebê ainda tem baixa saturação de O2, utiliza-se o Cpap para ajudá-lo (como contei neste outro post aqui). No Cpap o médico pode controlar o percentual de O2 bem como a pressão para a entrada do O2 no nariz do bebê.

A Malu utilizou o Cpap por 31 dias e durante este período foram feitas duas tentativas para retirá-lo com intervalo de mais ou menos 2 semanas. Quando largou o Cpap, a Malu ficou de vez no ar ambiente, mas nem sempre é assim. Alguns bebês não conseguem ficar sem ajuda de uma hora pra outra. É aí que entram outros dois mecanismos que a Malu não utilizou.

O hood é um capacete (como o nome mesmo já diz) de acrílico que fica ligado à um ventilador e libera O2 para o bebê. O bebê fica deitado de barriga para cima e o capacete cobre toda a cabeça com apenas um buraco para o pescoço ficar de fora. É bem menos invasivo que o Cpap, eu achava fofo os bebês ao lado da Malu que ficavam com aquele capacete de astronauta! Depois do hood, o modelo mais simples é o cateter nasal. É um cateter simples que fica preso logo abaixo das narinas ligado ao ventilador que solta O2 constantemente.

O uso muito prolongado de O2 pode causar doenças pulmonares como a broncodisplasia. O uso dos ventiladores causa uma inflamação nos pulmões e produz cicatrizes interferindo no desenvolvimento pulmonar. As crianças com displasia podem apresentar dificuldade respiratória, dependência de oxigênio, tosse entre outros sintomas... mas o quadro tende a melhorar com o passar do tempo e tratamento adequado. 

Um dos medicamentos utilizados em bebês boncodisplásicos é um anticorpo especial para combater o vírus sincicial respiratório chamado Palivizumab, a Malu tomou no primeiro ano de vida e agora estamos tentando a dose para o segundo ano. Num próximo post falo sobre o que fazer para conseguir este medicamento tão caro, mas que felizmente é disponibilizado pelo governo para bebês prematuros ou com doenças graves.

Um exemplo de como é o hood que a Malu não usou

sábado, 5 de abril de 2014

A apneia.

Então, vamos a ela, a tão temida apneia. Todo mundo já ouviu falar dela, mas poucos viram de perto. Quem ronca muito as vezes entra em apneia... faz exame, dorme de máscara (que por algum acaso nada mais é do que o Cpap)... mas a primeira apneia de filho a gente NUNCA esquece. A explicação técnica é a seguinte: Distúrbio respiratório mais frequente no período neonatal. A prematuridade do sistema nervoso central resulta  em uma instabilidade do sistema respiratório. A apneia pode ser central, obstrutiva ou mista de acordo com a presença de fluxo nas vias aéreas superiores. Define-se como apneia  a cessação do fluxo nas vias aéreas superiores com duração superior a 5 segundos.

Agora vamos a realidade descrita por uma mãe: Você está lá na uti vendo seu micro filho se remexendo e de repente ele para. Fica imóvel. Começa a ficar roxo. E daí começam a tocar várias sirenes no monitor que fica em cima da incubadora. Em alguns segundos surge uma enfermeira que abre as janelinhas, passa álcool na mão, tudo na maior calma.... e você lá sem entender porra nenhuma... aí ela começa a massagear o peito do bebê, levanta a cabeça um pouco até que a sirene para... o bebê fica rosado novamente. A enfermeira fecha as janelinhas, olha lá pra mesa da enfermagem e diz “Maria Luísa! Saturação 75, batimento 82!”, vira as costas e volta pro que estava fazendo. E você lá com cara de tacho.

É mais ou menos por aí. Terror e pânico. Seu filho simplesmente para de respirar e alguém tem que ir lá socorrer.... maneiro né? Só que não. Nas primeiras apneias da Malu eu me assustei bastante, o monitor começava a apitar, eu chegava pra trás, pois sabia que alguém ia lá sacudir ela. Depois comecei a aprender a “ler” o monitor. Normalmente o bebê satura entre 95 e 100%, quando a saturação baixava de 87%, lá vinha a maldita. A apneia pode vir acompanhada de uma bradicardia, nisso a Malu era mestre. Rainha da bradi! A bradicardia é a queda do batimento cardíaco, e junto disso tudo pode rolar a cianose, que é quando o bebê fica roxinho.

A Malu teve muitas apneias, não sei quantas, tinha dia que rolavam umas 3! Toda as apneias eram anotadas numa ficha a parte, por isso que a enfermeira gritava a saturação e a frequência cardíaca mínimas quando chegava na incubadora. Em palavras de médico para mãe o que acontece é o seguinte... o sistema nervoso do bebê tem a parte voluntária e involuntária. A voluntária é quando você faz o que você quer. Anda, corre, pega um objeto... a involuntária é quando você faz coisas automaticamente...respira, seja acordado ou dormindo. Você não precisa lembrar de respirar! Como o cérebro deles ainda não está totalmente pronto, eles esquecem de respirar! E aí vem a apneia.

É muito normal que isto aconteça no sono REM (rapid eye moviment), o sono profundo. O bebê começa a dormir o sono leve, uns 40 minutos depois entra no sono REM, esquece de respirar e temos que acordá-lo. Depois de ver algumas vezes, resolvi eu mesma começar a agir. Aliás depois de um tempo nem pro monitor eu olhava mais, só de olhar pra Malu eu já sabia que vinha uma apneia. Aí sim eu olhava pro monitor (que demora alguns segundos para atualizar) e esperava a saturação cair... aí eu mesma abria as janelinhas e reavivava a Malu. Quando a enfermeira chegava ela já tava pronta pra outra e eu já tava descolada... “Maria Luísa! Saturação 80, Frequência 88 sem cianose!!!!!!!!”


Pezinho mais lindo do universo!